outubro 31, 2004

REGISTOS DE RELAÇÕES A DOIS NO TEATRO: REPRESENTAÇÕES DO ENVOLVIMENTO EMOCIONAL OU DO COMPROMISSO ASSUMIDO

Deixo-vos esta informação saída, também, no meu blog "Um pouco de Teatro...". Se tiverem interesse, estejam atentos a partir de amanhã. É que:

"São vários os dramaturgos e as peças por si escritas que retratam (ou procuram retratar) contextos de vivência a dois, com tudo o que isso pretende abranger de situações ocorridas na realidade.
Sendo o Teatro uma arte de representação do Real, por mais metafórica que seja a sua assumpção, tal tipo de situações fazem também parte daquilo que é susceptível de ser mostrado ao público permitindo-lhe, dessa forma, uma maior ou menor identificação, mas sempre reflexão.
No âmbito desta ideia, e durante os próximos dias, serão aqui trazidos excertos de peças que permitem atender às situações referidas, com todas as variantes que possam existir, em função de particularismos determinados, inclusive, atendendo ao estilo e objectivos do autor.
Quanto aos dramaturgos alvo de atenção, serão:

- Anthony Neilson

- Harold Pinter

- Jon Fosse

- Sam Shepard

- Oleg e Vladímir Presniakov (Irmãos Presniakov)

De cada um dos autores será feita uma apresentação, assim como será trazida uma ou mais peças, sempre com o sentido de diversificar o tratamento feito pelos mesmos à realidade em questão. Da mesma forma, uma mesma peça pode ser apresentada mais do que uma vez, traduzindo isso a edição de mais do que um excerto de si.
Espero, com esta minha opção, alargar os problemas/questões sobre os quais julgo importante haver um debruçar, nomeadamente, pela complexidade que tal significa ou pode significar no que respeita a vivências de facto, algumas delas possíveis de serem do nosso conhecimento ou mesmo tendo sido já vividas (mais ou menos intensamente, ou mais ou menos aproximadamente) por nós próprios. No fundo, e voltando a sublinhar: o Teatro/a Representação como espelho de Nós.
Espero que tudo venha a ser do vosso agrado."

Encontramo-nos por lá!


Publicado por void em 02:28 PM | Comentários (4) | TrackBack

BUDDHA-BAR (EM) LISBOA

Têm presente as compilações budda-bar que apresentei aqui no blog? Lembram-se do que escrevi, quer a propósito de cada uma delas, quer da origem do nome? Lembram-se? Pois é! Atentem agora à maravilha: existe o espaço BUDDHA-BAR na nossa bela Lisboa (Docas, antigo "Salsa Latina")!
Para quem já sabe/sabia... vá contem, contem, o que acharam? Para quem ainda não sabe: bora lá!
Deixo-vos com a apresentação feita do espaço, em Press Release, por João Paulo Lourenço Maya:

"O Conceito do BUDDHA BAR incide numa decoração baseada em tons terra e ocres, pintados. O mobiliário é em madeira oriental, com mesas baixas, sofás e puff’s em pele, esteticamente modernos mas de conforto clássico.
Abundam colunas altas de madeira oriental, que envolvem o espaço.
Budas ricos, de diferentes dimensões, criam um ambiente muito especial, havendo espaços onde peças de diferentes dimensões, se misturam, imitando santuários budistas.
A iluminação é suave e quente. Dentro desta mesma óptica do conceito oriental, o espaço afecto ao lounge é decorado também numa coerência com o espirito do conceito base, em que o exotismo, o conforto e o bom gosto imperam.

O BUDDHA BAR funciona de 4ª feira a Domingo no horário das 21 horas ás
4 horas.

No espaço bar tem estilo musical Deep House, conceito estendido a toda a Europa em casas de cariz semelhante. O atendimento é feito por pessoal seleccionado no sentido do conforto, simpatia e satisfação. O BUDDHA BAR aposta na personalização efectiva dos serviços pretendendo conhecer a individualidade de cada cliente através de um relações públicas permanente que velará pela articulação entre todos os intervenientes e o espaço. O lounge será um espaço idêntico ao Bar, mas com acesso mais restrito desenvolvendo um conceito de maior privacidade. A musica será Chill Out."


Deixo aqui um agradecimento muito especial à Maria João Matos, por esta preciosa informação e por me ter levado a fazer pesquisa. Claro que... a minha ida a tal fantástico lugar é uma obrigatoriedade. Sem contestação nem dúvidas possíveis. :)**

Já agora: para quem só agora toma contacto com informação relativa às compilações que referi, veja no meu blog "Interioridades" a apresentação do 1º conjunto de cd's.

Publicado por void em 11:50 AM | Comentários (8) | TrackBack

SORRIR ("ESPAÇO SUB-20")


(Fotografia de Marília Campos)

Na tua ácida ausência, as palavras - as tuas que agora são minhas, nossas - assumem-se como refúgios, lençóis onde posso negar o vazio que me abraça. Por ti, Dulcineia, ergo a minha lança contra os relógios e combato o tempo - os dias, as horas, os minutos, até os tão breves, agora tão extensos, segundos. Sorrio à sexta quando me encontras perdido - "aflito" como tu dirias - e choro à segunda quando trucidado pelos ponteiros da distância, desfeito em pedaços pela carruagem que te sequestra. Sou o pacote de açúcar que rasgas com subtileza, o papel dourado que dobras com cuidado, sou a pegada efémera que gravas no cínzeo do cimento. Sou, sou os vestígios que me deixas na tua ausência, ácida, o brilho nos teus doces olhos líquidos. Sou, não, não sou. Não sou nada sem ti. Sinto a tua falta, falta do olhar que não me devolveste quando partiste.

Sorrir é a melhor coisa do mundo.


(Krip- CANETA SEM TINTA)

[Meu querido Krip... adorei este teu texto. Muita, muita sensibilidade à flor da pele... e não só. Um grande beijinho para ti. Sandra]

Publicado por void em 08:22 AM | Comentários (2) | TrackBack

outubro 30, 2004

AS FERIDAS ESSENCIAIS (2)

Pois é! A qualidade dos poemas justifica plenamente a apresentação de mais dois daqueles constantes na obra "As feridas essenciais", da autoria de Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell. E desta vez a minha escolha recaiu sobre:


FLICKERING HOSPITAL LIGHT

Fardado de neve vens inspeccionar as gavetas do meu corpo.

Vens experimentar o desgosto da minha perfeita arrumação,
Das coisas perto da carne, das coisas junto ao coração.

Escolhido ao acaso, vens ao trabalho de tudo abrir e remexer
a ver se não falta nada ou se sobra algo.

Fardado de neve, sob a luz amarelada,
morta de vermes e de perspectivas de vítima,
vens me dizer quanto me resta da vida que vale a pena ser vivida.


FRENOLOGIA

Às vezes vivo só dentro da minha cabeça,
só para lá, para dentro da minha cabeça.
Por exemplo, se houver só duas coisas a lembrar,
fecho-as logo entre quatro paredes que apertam
e sento-me para começar a vê-las lutar

Outras vezes, uma ideia escapa-me,
mergulha, viscosa, escorregadia, por um tubo de prata,
contorcido de velhas voltas que sufocam outras voltas,
até morrer num olho cansado e
deito-me a pensar se pela escadaria partida
de uma lágrima, a devo ou não libertar.

A maior parte das vezes acontece-me,
ainda dentro da minha cabeça,
não saber quando parar.
Aí, em posição fatal, aperto-a entre as mãos,
e fico, sem queixume ou som, apenas à espera
que alguém me venha buscar.


Brevemente, mais alguns poemas do autor. Até lá!

Publicado por void em 06:23 PM | Comentários (3) | TrackBack

RAPARIGA COM BRINCO DE PÉROLA

Tracey Chevalier, inspirada num dos quadros do pintor holandês do século XVII, Johannes Vermeer, escreve o romance "Girl With a Pearl Earring". Posteriormente esta obra é adaptada para cinema por Peter Webber e... o resultado é excelente. De facto, o romance é muitíssimo bem recuperado, sendo igualmente de grande qualidade a história construída pela escritora, no sentido de imaginar o que teria estado por detrás do quadro em questão. O que teria vivido Vermeer? O que o teria inspirado e por que razão? Quais os espaços em que tudo se terá passado? O que aconteceu no seio da sua própria família? Um conjunto de questões que terão certamente sido consideradas por Tracy Chevalier para darem origem ao seu trabalho final. E de facto, o que temos? O que resultou dessas reflexões/interrogações da autora? Pois bem: um pouco daquela que teria sido a vida do pintor num momento muito particular da mesma: a entrada para servir em sua casa de Griet, uma jovem que para ajudar no sustento da família, ali procura emprego. E a partir dai tudo acontece, nomeadamente após o contacto desta com a obra do pintor e a percepção deste relativamente à sua sensibilidade no que respeita à Arte, naquele caso, os quadros por si pintados.

Chamo a atenção, neste contexto, que "Rapariga com brinco de pérola" encontra-se já disponível em DVD. Efectivamente, o filme está já ai para o podermos adquirir e, em casa, desfrutar daquelas que são as suas belíssimas cenas. Sem dúvida que, plasticamente, estamos perante um filme muito bem conseguido. Cada cena parece um quadro, onde os actores se encaixam/movem na perfeição. O guarda-roupa é excelente. Os tipos sociais muito bem apresentados e os Países Baixos de Seiscentos bastante bem reproduzidos/recuperados. Um filme completo quer em termos de argumento, quer em termos de ambiência histórica, quer ao nível da imagem. De destacar a interpretação de Scarlett Johansson que veste com grande qualidade a pele daquela rapariga que... ficou para a História (da Arte).

Relativamente ao DVD:

- ARGUMENTO:

"Holanda, 1665. Depois de o pai ficar cego devido a um acidente, a jovem Griet vê-se obrigada a trabalhar para sustentar a família. Com apenas 17 anos, torna-se criada na casa de Johannes Vermeer, um pintor cuja atenção se começa a voltar para a jovem Griet. Apesar das diferenças dos dois mundos, Vermeer reconhece em Griet, uma forma muito particular de olhar para tudo que a rodeia e sente que ela tem um fascínio enorme pelos seus quadros e lentamente leva-a para o mundo da arte, e ela torna-se sua musa..."


- EXTRAS:

Comentários de Peter Webber e Andy Paterson; Comentários de Tracy Chevalier e Olivia Hetreed; Cenas Cortadas; Entrevistas, entre outros.

- DURAÇÃO:

c. 100'


Mais uma vez vos digo: um filme a ver! Para quem ainda não o fez, o DVD está aí.

Publicado por void em 02:38 PM | Comentários (0) | TrackBack

FICA COMIGO ("ESPAÇO SUB-20")


(Fotografia de Marília Campos)

Vem dormir comigo. Tenho saudades tuas. Vem parar o tempo e os ponteiros do relógio. Toca a campainha e deixa que esses cinco minutos que demoras a subir os três andares que te trazem até mim sejam eternos como subidas ao prazer, como subidas de prazer. Entra e fecha a porta. Encosta-me à parede e beija-me a alma e o coração enquanto me distraio com a tua boca. Pega em mim e leva-me para a cama. Deixa que os ponteiros continuem parados na sua serenidade enquanto esperam que vás embora e torna isto eterno, intemporal e beija-me, beija-me, beija-me. E depois do amor, meu amor, encosta a tua cabeça ao meu peito e adormece, adormece. Deixa-me pensar que estes momentos não vão acabar. Deixa-me iludir na certeza de que não vais sair e regressar apenas amanhã. Oh amor é que uma noite sem ti é tão fria, tão mais escura que o normal! Os candeeiros da rua deixam de funcionar, o vento vem contra a minha janela, as sombras do quarto tornam-se ameaçadoras, e a cama fica tão vazia. Os lençois parecem enormes, a almofada parece nunca mais acabar, e os meus pés ficam tão frios quando não os aqueces com o teu amor. Mas pelo menos sei que voltas e que mesmo não estando perto pensas em mim e consegues ver aquelas coisas que só o amor vê. E vês-me deitada ou na secretária a estudar, vês-me olhar para as nossas fotos, sentes-me a pensar em ti. E não precisas que grite bem alto o quanto te amo para ouvires baixinho no teu ouvido porque isso ouves tu a toda a hora e é o teu coração quem to diz. Mas as saudades não passam. E por [melhores] e coloridas que sejam não deixam de doer um bocadinho só. E eu contínuo fria, sozinha, triste e com uma cama enorme à espera que voltes amanhã.


(Ana- PÁRA DE OLHAR PARA MIM)


[A Ana estreia-se, em grande, com este texto bastante intimista. O Amor anda no ar, eu diria ;) Enfim... espero que consiga "embalar" quem o lê. Um grande beijinho para ti e até à tua próxima produção aqui no Void. Sandra]

Publicado por void em 08:30 AM | Comentários (5) | TrackBack

outubro 29, 2004

VIDA DESPREZÍVEL


(Fotografia de Michael Ash)

A vida é assim tão desprezível? Não serão antes as tuas mãos pequenas demais e a tua visão demasiadamente turva? Tu é que deves crescer.

(Registo de Dag Hammarskjold)

Publicado por void em 07:58 PM | Comentários (3) | TrackBack

SE O MUNDO FOSSE CEGO ("ESPAÇO SUB-20")


(Fotografia de Jose Marafona)

Ele autocolou na testa um círculo branco de papel e percorreu os corredores atulhados de rostos, mochilas, nuvens de perfumes estonteantes, risos e vozes estridentes. Os seus colegas riram-se, disseram-lhe que tinha uma coisa na testa. Ele acenou, sorriu, disse-lhes que fora ele a pôr o autocolante. Eles não perceberam nem tentaram perceber «as loucuras de certa gente!...» e continuaram caminho, não havia tempo a ser desperdiçado com um tolo. Ele ergueu a cabeça e seguiu em frente, olhos virados para a sua testa, uns engasgos humorados, moscas de críticas a rondarem suas costas, ainda aqueles poucos que se quedavam na curiosidade. Ele só pensou como um pedaço de papel que ele não via podia transtornar tanto os outros, como as pessoas podiam incomodar-se mais do que ele próprio.

Se o mundo inteiro fosse cego, nada seria assim tão visual. Não se preocupariam com a última moda, a melhor marca de ténis ou o biquini da Christian Dior. Revolucionar-se-iam os perfumes, cada um com a sua fragrância, uma mais poderosa que a outra, outra mais débil ou mais vulgar. Não haveria romances de carta ou grandes comunidades virtuais. As pessoas ouvir-se-iam e guiar-se-iam pelas palavras audíveis em vez de falarem disparates e fingirem escutar o que lhes é dito. O toque seria extremamente importante e beijar-se-iam somente os íntimos. Abraçar-se-iam os amigos e os desconhecidos, o corpo seria um lugar palpável, explorado e ninguém a mentir o acne ou a resistência física pois nenhum espelho e nenhuma comparação. Cantar-se-ia sem medo, a voz como um meio imprescindível de comunicação, fazer-se-iam palestras e reunir-se-iam bocas nas tardes de verão para grandes conversas filosóficas. A escultura e a música seriam a arte e a pintura transformar-se-ia num buraco de sentimentos interiores, um diário imaginado cujas cores do pincel seriam os segredos do pintor.

Se o mundo inteiro fosse cego, ninguém conheceria a morte e a vida do sol e da lua, nenhuma íris se encontraria noutra, nenhuma aurora boreal a inundar o peito de uma felicidade misteriosa, nenhuma palavra ensanguentada a gritar socorro a beleza dos jardins florescentes, das cascatas, dos arco-íris e das fotografias, tudo isso rasgado à alma.

Se o mundo inteiro fosse cego de corpo, não seria cego de alma também?


(Dina- VIRGENS SUICIDAS)


[Mais um daqueles textos que tanto te caracteriza e que eu adoro. Beijokinhas para ti. Sandra]

Publicado por void em 09:18 AM | Comentários (3) | TrackBack

outubro 27, 2004

NO DIA EM QUE O SONHO ENCONTRA A REALIDADE


(Autor desconhecido)

No dia em que o sonho encontra a realidade, a ratoeira não tem piedade.
Escuro dia, de névoa e cheiro a enxôfre, não é um terramoto, é uma explosão vulcânica, que sem pressa queima tudo à volta e arrasta consigo todas as esperanças e fantasias.

Não é a erosão calma e paciente de uma arriba, é o abatimento da própria sob o peso dos delírios inocentes, que desconhecem a ausência de substância.

Não há espaço para soluços no dia em que o sonho encontra a realidade, nem tempo para lamber as lágrimas porque a língua é deglutida com o soro da verdade.

A flor que enfeita a morte é negra de dor mas não nos cega. O ciclo não estaria completo se não pudessemos ver o enterro do nosso próprio ego.

Já não existe mais nada do que os meus próprios dedos que numa valsa terna e lenta bamboleiam por um teclado.

Soube a acre este beijo.


(Hugo Madeira- A EMBRIAGUEZ DA METAMORFOSE)


[Hugo: como sabes, adorei este teu poema. Uma das melhores coisas que, ao nível da Poesia, li ultimamente. Senti de imediato que tinha que constar aqui no Abismo. E ei-lo.... Beijinho.]

Publicado por void em 06:45 AM | Comentários (5) | TrackBack

outubro 26, 2004

JAMES BOND: OS FILMES (7)

Continuando a apresentação dos filmes relativos a James Bond (e sua colecção em DVD), deixo-vos hoje com mais dois. Mais duas missões, mais duas aventuras, mais algumas razões para reforçarmos a nossa admiração pelo famoso agente secreto.
Eis, então: "Moonraker" (1979) e "A view to a kill" (1985), ambos com a participação especial de Roger Moore:

Aqui, "O Agente 007 entra em órbita nesta excitante aventura que o leva através de Veneza, Rio de Janeiro e o Espaço Sideral. A investigação do desaparecimento de um vaivém norte-americano leva Bond, que conta com a ajuda da bela agente da CIA Holly Goodhead, a enfrentar Hugo Drax, um industrial maníaco cujo plano poderá destruir completamente a civilização humana."

Participações: Roger Moore, Lois Chiles, Michael Lonsdalde, Richard Keil.

Opções especiais: Comentários audio do realizador Lewis Gilbert e elementos da equipa técnica; Documentário "Inside Moonraker"; Documentário "The Men Behind The Mayhem The Special Effects of James Bond" e outras.

Duração: c. 122'

Neste filme, "O Agente 007 tem pouco tempo para impedir os planos de um industrial que pretende matar milhões para garantir o monopólio na indústria de microchips. Da Torre Eiffel ao topo da Ponte Golden Gate, James Bond é imparável."

Participações: Roger Moore, Tanya Roberts, Grace Jones, Patrick Macnee e Christopher Walken.

Opções especiais: Comentários audio do realizador John Glen, elenco e equipa técnica; Documentário "Inside A View To A Kill"; Documentário "The Bond sound".

Duração: c. 127'


Ficam mais dois registos. Até aos próximos!

Publicado por void em 08:20 PM | Comentários (0) | TrackBack

LHASA DE SELA NA AULA MAGNA


Pois é! Quem gostar desta cantora norte-americana com origens mexicanas, tem a possibilidade de a ver/ouvir no próximo dia 6 de Dezembro na Aula Magna, em Lisboa. Certamente que o seu último álbum, "The Living Road" (já aqui apresentado), vai ter um relevo especial. Aproveitem! Eu vou!

Publicado por void em 01:34 PM | Comentários (0) | TrackBack

DENTRO DO LIVRO


(Fotografia de Margarida)

Assusto-me quando me vejo escrita dentro do que escreves. Não quero, é uma sensação de desconforto. É como se uma palavra escrita por ti fizesse sombra no meu coração. Como se uma palavra se desprendesse da minha vida e volteasse à minha volta em círculos de desgosto e pesadelos por tudo o que me fizeste viver. Sempre acreditei que provocasses isso, essa forma de escrever onde tudo é arrancado da minha árvore emocional. Sinto-me cansada de ler os meus actos desfigurados pelo teu pensamento. Temos uma vida de merda, nunca pensei. É esta a ideia que tenho quando as palavras representam de uma forma grotesca tudo aquilo que não senti.

Caminhamos juntos e falo-te como se a verdade do que sinto fosse a minha nudez. O que acontece é que as pessoas que já não se amam não desejam nenhuma verdade. Utilizam as palavras para se protegerem do sofrimento e da fraqueza que as impede de chegarem a um fim. E ficam tão fracas em tudo o que dizem (fracas e confusas como uma folha de uma árvore que não sabe onde cair), que o que dizem é um resto das suas vidas a decompor-se no tempo.

Nunca tenho coragem de dizer que não gosto do que escreves sobre mim. Não tenho coragem; da mesma forma que não me vejo desmembrada pelas discussões sobre a vida. Podia ser tudo simples, se cada palavra tua não dissesse mais do que sinto.

Abrir um livro e ver-me num plano do já vivido é o pior sentimento que posso sentir. Deverei estar habituada, eu sei, tudo o que eu disse a ser conduzido pelas tuas palavras. Os meus actos a serem protegidos pela mentira inspirativa no momento de me escreveres. Não gosto dos teus livros como não gosto de me olhar num espelho quando choro.

Não compreendes. Quem escreve não pode compreender o desespero que deixa na pessoa escrita. A sensação é a mesma que experimentamos no fim duma discussão. Existe uma tranquilidade amarga mas ainda assim suportável e longínqua. Como se alguma coisa de estranho viesse de longe para nos ensinar a permanecer calmos e conscientes dentro do caos que sentimos no momento.

Talvez escrever seja assim, tu deves saber.


(Fernando Esteves Pinto- ESCRITA IBÉRICA

[Fernando: este é um dos teus textos que mais gosto. Disseste que a sua produção/elaboração se baseou num filme que eu também vi. Deve ser, precisamente por isso, e por ter sentido tanto esse filme, que este teu trabalho me fascina tanto. Beijo.]

Publicado por void em 06:33 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 25, 2004

WOMEN OF LATIN AMERICA

De uma mulher para outras mulheres (mas não só).... uma sugestão no âmbito da World Music: o álbum "Women of Latin America", que reúne uma série de referências femininas da canção Latinoamericana. São elas, com as seguintes canções escolhidas:

1. Marta Gómez- "La Ronda" (Colombia)
2. Jacqueline Fuentes- "Sinuoso Trópico" (Chile)
3. Adriana Calcanhoto- "Justo Agora" (Brasil)
4. Mônica Salmaso- "Dançapé" (Brasil)
5. Mariana Montalvo- "Índia Song" (Chile)
6. Tania Liberdad- "Anda Mareando" (Perú)
7. Susana Baca- "Caras Lindas" (Perú)
8. Lila Downs- "Icnocuicatl" (México)
9. Belô Velloso- "Toda Sexta-Feira" (Brasil)
10. Lhasa- "La Frontera" (México)
11. Totó La Momposina- "Yo Me Llamo Cumbia" (Colombia)

Um álbum com sonoridades com as especificidades dos países a que respeitam, no que isso se pode relacionar com o uso de instrumentos determinados, com o recuperar ou o reaproveitar de melodias, assim como formas particulares de exposição de ideias/mensagens.
Um conjunto de cantoras que vale a pena conhecer ou aprofundar o conhecimento, naquele que é/poderá ser o direccionar de interesse para outros géneros musicais e para áreas geográficas globalmente menos conhecidas no que ao panorama musical respeita.

Publicado por void em 07:50 PM | Comentários (2) | TrackBack

CAMPANHA CONTRA O PRECONCEITO

Tenham como ponto de partida esta imagem e tomem conhecimento do projecto levado a cabo pela rede ex-aequo, no sentido de lançamento de uma campanha do postal electrónico contra o preconceito entre a juventude homo e bissexual. Para armazenamento dos trabalhos foi criado este link. Vejam o que por lá há.

Publicado por void em 07:30 PM | Comentários (1) | TrackBack

AROMA DE MORTANDADE


(Fotografia de Marília Campos)

toma a minha transparência
vinho opaco
fogo azul
cristal cimentado

sou um amontoado
de penas

arrancaste-as
escreveste na minha carne
viva
com os pedaços de espelhos que
quebraste
da minha imagem
da tua imagem
de bagas venenosas

dás-me veneno
do teu cálice profano
mergulho no teu mar
profundo
e afogo-me na superficie
apenas...

enterras-me em ti
viva
inalo-te
és aroma de mortandade

apercebo-me que estou
afogada no veneno que o teu corpo
verte
em pedaços que flutuam
de carne
que também é minha
da carne que é tua

e há sangue neste chão
de terra vermelha
sangue que se mistura
com a tua essência de homem

e há poeiras que se baralham
em conflito na tua mão
maçãs coaguladas
essência de mim, que evaporou

escreveste na minha carne
viva
com espelhos de nós
que quebraste
com penas do meu corpo
de pássaro que chora

és aroma de mortandade
que me invade a carne
acutilada
a carne escrita de palavras
que já não existem
palavras escritas em pedaços que flutuam

queria dar-te
toda a transparência
de vidro baço
que sou
queria dar-te
todo o fogo azul
que tenho

juntaste pedaços de carne
de cristal
cimentado
enterraste-os
e eu morri na tua
superficie
com o teu aroma
apenas...

(Alexandra Antunes- FRÁGIL)

[Alexandra: a tua escrita é absolutamente fantástica. É, sem dúvida inequívoco, o seu merecimento para aqui ser divulgada. O meu grande pecado: o tardar da descoberta ;) Um beijo enorme.]

Publicado por void em 06:52 AM | Comentários (4) | TrackBack

outubro 24, 2004

UM POUCO DE TEATRO...

Caso gostem de Teatro e particularmente de Sarah Kane e Albert Camus passem pelo meu blog "Um pouco de Teatro", dado durante este mês de Outubro eu ter editado excertos das suas peças: da Sarah todas, de Camus algumas. Em baixo deixo-vos a apresentação que fiz de ambos antes da apresentação dos excertos. Se ainda não foram, dêem lá um salto. Suspeitosamente digo que vale a pena.

Quanto às apresentações:

Sarah Kane nasceu em Londres a 3 de Fevereiro de 1971. Filha de jornalistas, começou a escrever muito cedo. O seu primeiro conto surgiu quando tinha 7 anos de idade. Mais tarde, em termos de prosseguimento de estudos, Sarah envereda pelo Curso de Teatro, sendo hoje uma referência na/da dramaturgia britânica.
Pelas características das suas peças, a controvérsia em Inglaterra foi uma realidade. Sarah não passava despercebida. Tal, não poderia acontecer, atendendo às abordagens que fazia da realidade. Sarah chocava. Sarah era muito crua. Sarah não procurava atenuar os males, nem esconder as deficiências. Sarah tratava tudo com muita intensidade e as representações dos seus textos traduziam/traduzem isso mesmo.
Sarah Kane suicidou-se a 20 de Fevereiro de 1999, deixando escritas 5 peças:

- Blasted (Ruínas)
- Phaedra's Love (O Amor de Fedra)
- Cleansed (Purificados)
- Crave (Falta)
- 4.48 Psychosis (4.48 Psicose)


Albert Camus (1913-1960) é, para mim, uma referência da literatura francesa e mundial. Mas é também uma referência ao nível do Teatro, em particular, pelo trabalho desenvolvido na escrita e tradução de peças, assim como na adaptação de textos em prosa para efeitos de representação.
É, pois, tendo em conta todo este trabalho, aliado que esteve ao seu próprio pensamento de cariz existencialista, que editarei excertos de peças que escreveu e adaptou. E neste âmbito refiro-me a:

- "Calígula"
- "O equívoco"
- "Os possessos" (adaptação da obra de Dostoiévski)


Fica aqui o chamariz. Independentemente de aqui no Void já ter editado excertos de peças de ambos os autores, nunca é demais fazer referência a elas, até para quem não leu. Assim sendo, apareçam pelo meu outro palco. Encontramo-nos lá!

Publicado por void em 09:34 PM | Comentários (0) | TrackBack

AS FERIDAS ESSENCIAIS (1)


(Pintura de Pavel Surma)

Acabou de sair para o mercado o último livro de poesia de Fernando Ribeiro, vocalista da banda Metal portuguesa "Moonspell". Intitula-se o livro As feridas essenciais e tem a chancela das Edições Quasi.
Deixo-vos, hoje, com 3 poemas constantes no livro:

HOJE ACORDÁMOS EM SÍTIOS DIFERENTES

Eu, no meio das ruínas que se movem, das sombras que sopram, das almas em fuga para dentro da vida.

Tu, no meio das ruínas paradas, das sombras que já não respiram, das almas em fuga para longe da vida.

Amanhã, sempre amanhã, tentaremos acordar no mesmo sítio de sempre e o abismo do medo e da dor irá rir-se de nós enquanto nos engole ou nos deixa passar.


O TOQUE DA MORTE

Quem possui o toque da morte
não sabe a sorte que tem e de como irá fazer tantas pessoas felizes.

Porque o toque da morte é uma espécie de cura sem mentira.

Quem toca com o toque da morte
desconhece, por completo, o seu dom
e como o transmitir às pessoas que, verdadeiramente,
esperam por ele para começar a viver.

Porque o toque da morte faz-nos descer à terra
de onde nunca deveríamos ter levantado as nossas cabeças
e que nunca deveríamos ter pisado com os nossos pés.


NOCTÍCULA

Quando cair
Na altura da queda de todos os dias,
Da altura da queda de todos os dias,
Esticarei o braço curvado em raiz,
Corrupto nas pontas que me servem de olhos na queda,
De dedos de tremer, de amparo que rasga,
Para quando chegar ao chão
Se disperse o nada de mim e infecte o tudo dos outros.

Quando cair
na altura da queda de todos os dias,
Da altura da queda de todos os dias,
Vou agarrar uma partícula da noite
E consegui-la apertar na mão em garra doente.
Apertar até fechar com os dedos por fora do que está dentro
E levá-la comigo, secretamente.
Na garra bem fechada, na mão de eclipse que contém o eclipse.
Vou levá-la para entrar nela sempre que quiser.
Para entrar nela e me esconder de ti
Mesmo sabendo que tu me vês.
Em qualquer noite em que eu esteja.


Para breve mais 3 poemas desta mesma obra. Até lá fiquem com este iniciado ambiente tipicamente Gótico.

Publicado por void em 08:45 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 23, 2004

NÃO QUERO REPRESENTAR ("ESPAÇO SUB-20")


(Autor desconhecido)

O passo largo, as sapatilhas rotas, o olhar de desdenho. Ao seu lado, as árvores abanavam ao de leve, pela suave brisa da manhã. Não quis abraçar os encantos da natureza, nem fugir em lembranças sonhadas. Injuriou os céus, e apressou-se para a sua triste sina de estudante.
Os seus rostos falsos trouxeram lembranças da podridão do ano que passara ali, naquela escola, com aquelas pessoas. Lembranças que, nos dias chuvosos de Verão, tentara apagar. Chegara o Outono, e com ele as folhas secas do seu jardim, o frio que aquecia a sua solidão, os apelos gritados ao vento...
Todos a olhavam, naquele corredor frio de hospital psiquiátrico. Lá ao fundo, alguém a chamou. Sorriram, acolhendo-a num teatro de amizade que nunca existiu. Não quis representar.
Enquanto conversavam, apercebeu-se do nada que sentia por toda aquela gente, actores que representavam a dança da estupidez humana ilimitada. Pavoneam-se pela escola, sorrindo e falando descontraíadamente, sempre com um olho em redor, à procura de novas caras. E, quando encontram alguém conhecido, trocam beijinhos e palavras sem sentido. O quanto a repugnava toda aquela hipocrisia, todo aquele ritual de aparente acaso!
Olhou o céu e pensou na falta de sentimento e verdade nas pessoas. Quis acabar com aquilo tudo. Quis embalar o mundo no amor da estrela do mar e rasgar aquelas máscaras inutéis...
Susana virou-se e partiu daquele mundo que não compreendia.
No caminho para casa, sorriu para a velha cigana de trajes negros e sonhou com o dia em que encontrara a estrela...

(Sana- RASGA-ME AS PALAVRAS)

[Ficamos hoje com a Sana, uma jovem cujo trabalho global muito aprecio. Que este texto vos agrade e vos desperte para outras produções da autora, que continuarão aqui, neste blog, a constar. Beijinho para ti, Sana :)*]


Publicado por void em 08:55 AM | Comentários (2) | TrackBack

EXPOSIÇÃO DE ILUSTRAÇÕES DE LUÍS ROYO (2): MALEFIC

Abro a porta da 2ª sala da exposição de ilustrações de Luís Royo. Mais um conjunto de excelentes imagens (para mim, claro!), todas elas repletas de cores quentes, de sensualidade nas personagens, tudo, num universo profundamente fantástico. Ora vejam:

Ilustração 1

Ilustração 2

Ilustração 3

Ilustração 4

Ilustração 5

Ilustração 6

Ilustração 7

Ilustração 8

Ilustração 9

Ilustração 10

Ilustração 11

Ilustração 12


E então: gostaram? Se sim, adianto já que o próximo conjunto é para...

Publicado por void em 08:54 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 22, 2004

A LOUCURA HUMANA


(Fotografia de Christian Coigny)

Um homem fala com o tempo e percebe que está fora da vida. Há alguém que espera o homem para lhe dizer: quem és tu? De onde vens? O homem reconhece a casa e a pessoa que ama, e o resto não existe. A mulher diz que mudou a sua maneira de ser. Diz que já não se sente a mesma. E fala-lhe em tom de poesia, mas o homem não se interessa em ouvir. Um dia não temos nada. Temos o coração limpo e vazio.

Posso entrar em casa? Não, diz a mulher. Não existe nenhum pensamento em que te possas reconhecer. Só mentiras. Eu disse-te: mentiras. O amor tem duas direcções, o homem percebeu muito bem. Também compreendeu que as palavras têm uma memória falsa.

Amar por palavras é um perigo. Não há memória para o que já não se sente.

Nunca confio em mim, disse a mulher. É um sangue, um espírito que me leva a isto: limpar o meu coração.

Um homem chega com palavras. Uma mulher está na frente do tempo e não o deixa passar. Não há uma identidade sentimental. Eu disse-te, diz a mulher. ela disse. Uma fita de palavras a limitar o espaço emocional.

É preciso esgotar todas as palavras que ficaram por dizer.
As pessoas que amam são a loucura. A loucura humana que se agarra às pessoas para explorar o amor.

(Fernando Esteves Pinto- ESCRITA IBÉRICA)

Publicado por void em 06:55 AM | Comentários (3) | TrackBack

outubro 21, 2004

UMA PEDRA DE VELUDO ("ESPAÇO SUB-20")


(Autor desconhecido)

esventrei as palavras do corpo – um fosso de silêncios - calei as teclas do sentimento e - jamais restarão vozes que me valham – viver os outros, morrer sem ninguém – abandonar-me ao caminho das pedras - sou uma pedra, um espelho de pedra feliz - os meus olhos dizem-me para chorar e eu - não posso falar - cuspo-os para fora de mim – o veludo sobre as coisas, uma noite sem estrelas, uma noite que grita o meu nome de pantufas - vem até mim descansa-me os maus sonhos.

(Dina- VIRGENS SUICIDAS)


[Deixo-vos, hoje, com uma autora que já conheço faz algum tempo e de cuja escrita gosto bastante. Um grande beijinho para ti, Dina :)*]

Publicado por void em 07:11 AM | Comentários (5) | TrackBack

THE LIVING ROAD

Deixo-vos como sugestão, o último álbum de Lhasa. "The Living Road" é um trabalho que reflecte bastante o percurso de vida da cantora. Os caminhos assumem vida, são o seu palco, são o que tráz e leva de um lugar para outro. A estrada é o ser íntimo de Lhasa.
Filha de pai mexicano e mãe americana, Lhasa tem percorrido muitos espaços e andado por vários lugares. Desses percursos resulta também a sua música e as suas canções. Este álbum, que é o seu segundo trabalho, é uma prova disso mesmo. E a qualidade é uma realidade. Quanto às canções:

1. Con toda palabra
2. La marée haute
3. Anywhere on this road
4. Abro la ventana
5. J' arrive à la ville
6. La frontera
7. La confession
8. Small song
9. My name
10. Pa' llegar a tu lado
11. Para el fin del mundo o el año nuevo
12. Soon this space will be too small

Doze faixas de composição simultaneamente simples e bela. Calma e tranquilidade são o que elas me proporcionam. Caso não conheçam, procurem ouvir. Vale realmente a pena!


Publicado por void em 06:51 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 20, 2004

DESILUSÃO ("ESPAÇO SUB-20")


(Fotografia de Christian Coigny)

Desvio constantemente os olhos para o tapete, para longe, para um mundo à parte. Temo que me olhem nos olhos e descubram o que me atormenta a alma, a desilusão disfarçada nestes forçados sorrisos hipócritas, a tristeza escondida sob este inexpressivo silêncio. As gargalhadas metálicas dos restantes ecoam estridentes nas paredes que parecem estar a apertar-se; o espaço torna-se cada vez mais exíguo, o ar irrespirável. Não suporto mais e levanto-me, percorro em silêncio o longo caminho até à porta, a qual abro e fecho num gesto. Lanço um breve olhar ao espelho mas apenas obtenho como resposta dois líquidos olhos verdes refulgindo numa sombra que se afasta. Continuo a minha fuga, dirijo-me à luz rosada da noite que entra pela janela, delineando o vulto dos objectos na penumbra da cozinha. Aproximo-me, encosto a testa ao gélido vidro e observo em silêncio a chuva caindo lenta naquele pequeno cubo de céu, escorrendo pelas paredes, sendo soluçada em brilhantes gotas pelo telhado. Contemplo os meus sentimentos transpostos para a noite até que o vapor quente dos meus suspiros toma conta do meu campo de visão. O tempo esfuma-se e eu assim fico, imóvel, esperando que surjas da noite, me abraces aprisonando-me nos teus braços e deposites um terno beijo na face. Não surgiste.

(Krip- CANETA SEM TINTA)


[ Um grande beijinho para ti, tu, que nesta equipa és uma preciosidade. Eheh...]


Publicado por void em 12:01 AM | Comentários (6) | TrackBack

outubro 19, 2004

O FENÓMENO DOS BLOGS MP3

Não pensem que vou aqui apresentar uma tese sobre o assunto porque não vou. O que pretendo com este post é chamar a atenção para uma espécie de secção da blogosfera, que é aquela respeitante aos blogs MP3. Pois é verdade, o fenómeno é uma realidade. É uma realidade, na medida em que existe já um conjunto considerável de blogs que versam sobre música e que neste âmbito a disponibilizam para todos os interessados. Quer conjugando texto com a possibilidade de audição de música, quer disponibilizando só as músicas (tb para download), o que é facto é que a consolidação/proliferação é algo de inegável. Denominados também estes blogs como "Blogs de audio" ou "Audioblogs", são já entendidos como um sinal dos tempos. Um sinal que as próprias editoras discográficas estão a ter em conta, no sentido de divulgarem os seus lançamentos. Por outro lado podem ainda ser considerados espaços de carácter intimista por aquilo que permitem perceber dos gostos dos seus autores.
Importa deixar registado que a ideia dos blogs audio ou blogs MP3 teve origem com o Fluxblog, mantido por Matthew Perpetua, DJ e fotógrafo nova iorquino, que teve a ideia de explorar as potencialidades que lhe eram disponibilizadas pela Internet, no sentido de oferecer a quem o lia a sua selecção pessoal em termos musicais. Estávamos, pois, nos inícios de 2003. Desde ai o surgimento de blogs deste tipo tem sido uma realidade no estrangeiro mas também em Portugal.
Sendo que num post posterior me debruçarei sobre esta tipologia de blogs em Portugal deixo-vos, para já, 7 links de alguns não nacionais para poderem explorar/ir explorando e, a partir de si, descobrirem muitos outros. São eles:

Soul Sides- Blog de Oliver Wang, com Hip hop, soul, funk e jazz à mistura.

Fluxblog

SFJ- com sonoridades desde o flamenco de La Ciata àquelas industriais de Techno Animal.

Tofuhut- blues, soul, rockbilly, pioneiros da electrónica...

Cocaine Blunts- Hip hop

Bumrocks- Hardcore...

Radio Babylon- De Howie B a Luke Vibert e Aphex Twin. Electrónica pura...


Vá, podem começar a navegar. Têm muito para ler e ouvir.

Publicado por void em 05:22 PM | Comentários (4) | TrackBack

ANTES DO ANOITECER

Nove anos depois, duas pessoas que se amaram num determinado momento do passado, voltam a encontrar-se. Nove anos depois voltam a descobrir que esse sentimento não mudou, independentemente de tudo o que se passou nas suas vidas, de outros relacionamentos e das mudanças exteriores verificadas em cada um.

Simplesmente adorei este filme! Considerei-o (e considero-o) de uma extrema simplicidade, mas ao mesmo tempo de uma extrema riqueza e com um conjunto de mensagens interessantíssimas. Nada de clichés, nada de pieguices, nada de romantismos balofos, nada disso. Um filme realista com duas interpretações excelentes (Ethan Hawke e Julie Delpy, respectivamente Jesse e Celine), tendo como cenário a cidade de Paris.

Com o que nos deparamos no filme: com saudades do passado? com a tristeza de não se ter vivido o que parecia ser previsível? com a esperança de que a vivência do Amor a dois ainda pode ser possível? que, de facto, "almas gémeas" existem? Julgo que podemos encontrar tudo ou podemos agarrar cada pedaço de cena por forma a conduzir-nos a todos estes algos.

Só vos digo: o final desconcertou-me. Queria mais. E queria-o, porque a história me estava a fascinar e a envolver por completo... os c. de 80 minutos souberam a muito pouco.

Se ainda não viram, aconselho. Aconselho mesmo!

Publicado por void em 04:03 PM | Comentários (3) | TrackBack

EXPOSIÇÃO DE ILUSTRAÇÕES DE LUÍS ROYO (1): SECRETS

Entremos, pois, na 1ª sala de exposição de trabalhos de Luís Royo, pintor e ilustrador espanhol, nascido no ano de 1954. Inequivocamente, Royo, é um dos nomes que se destaca entre os especialistas da ilustração de temática fantástica existentes. Com este autor viajamos por mundos absolutamente alucinantes onde mulheres, homens, animais, mostros se cruzam e entrecruzam nas mais variadas situações. São também bastantes as ilustrações de pose de figuras femininas. Seja o que for com que nos deparemos, o domínio da cor é uma realidade. Mais especificamente: o domínio das cores quentes que tanta particularidade dão à totalidade dos trabalhos.
Na medida em que penso que as várias formas de Arte devem ser contempladas/apreciadas/usufruídas o mais possível por cada pessoa, no âmbito daquilo que é a subjectividade do gosto e captação da(s) mensagem(ns), não me vou alargar mais em considerações. Deixo-vos, assim, com o primeiro conjunto de ilustrações:

Ilustração 1

Ilustração 2

Ilustração 3

Ilustração 4

Ilustração 5

Ilustração 6

Ilustração 7

Ilustração 8

Ilustração 9

Ilustração 10

Ilustração 11

Ilustração 12


Um 2º conjunto de ilustrações para muito breve. Estejam atentos!

Publicado por void em 06:34 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 18, 2004

LUÍS ROYO: DIVULGAÇÃO DE EXPOSIÇÃO

Luís Royo é um dos mais conhecidos ilustradores internacionais na área do fantástico. Quer pela cor, quer pela diversidade temática, os seus trabalhos atraiem um número elevado de pessoas. Quanto a mim, gosto bastante deste tipo de ilustrações. Sou como que transportada para dimensões absolutamente diferentes daquela(s) onde me integro/encontro- por motivos evidentes- e dessa forma faço uma espécie de exercícios mentais de criação de histórias a partir das imagens.

Sendo que estas razões são já bastante válidas, deixo aqui registado que a partir de amanhã e durante alguns dias (não sequênciais), irei apresentar-vos um conjunto razoável de trabalhos de Luís Royo. A imagem editada neste post dá uma pequeníssima ideia das abordagens feitas. Se acham que o que por ai vem vos pode também interessar, já sabem: voltem! Voltem e façam/vão fazendo o devido acompanhamento.

E por agora não vos digo mais nada. Aguardem pelo amanhã.

Publicado por void em 06:45 PM | Comentários (1) | TrackBack

CARTAS A TI- LOUCA VIAGEM ("ESPAÇO SUB-20")


(Fotografia de Bruno Espadana)

Foi num daqueles dias de Outono em que o vento sopra as folhas caídas, que tu chegas-te à minha vida. Ao inicio puro desconhecido, depois aos poucos acabas-te por te tornar um grande amigo e com o passar do tempo tornamo-nos cada vez mais íntimos, quase inseparáveis. Foi ai que me comecei a afastar adivinhando o que se avizinhava. Mas tu sempre foste um homem directo e viste-me dizer que estavas apaixonado “como nunca estive por ninguém “ dizias–me tu. Eu disse que não acreditava no amor, tentei explicar-te que gostava demasiado de ti e que tinha medo de te magoar, disse-te até que serias passageiro como todos os outros. Tu concordas-te comigo, também tu já tinhas sido magoado vezes sem conta para continuar a acreditar no amor, disseste-me que nada é perfeito e que estavas disposto a fazer-me acreditar também. Expliquei-te então que sou livre, que não pertenço a ninguém, que tenho que “voar” e que quando me começo a sentir presa me afasto. Contei-te que não gosto de amarras e que por mais que gostasse de ti não achava justo obrigar-te a viver assim…
Tu argumentas-te, disseste que não importava, que o teu amor por mim era enorme, que não me ias prender. Disseste–me também que só de ouvires a minha voz e sentires o sabor dos teus lábios te faria feliz. Eu chamei-te louco, disse-te que isso nunca iria resultar. Mas acabas-te por me convencer, fizeste-me acreditar que resultaria, foi assim que decidi embarcar nesta louca viagem. Foi bom enquanto durou, mas acabou assim como começou, de repente.
Desististe … tu que me fizeste crer que valeria a pena, tu que me fizeste tentar, tu que me fizeste acreditar no Amor; tu que agora deixas-te a viagem a meio…

(Mónica- MY PAPER MOON)

[Um beijinho para ti, ó minha grande... grande... enfim, tu sabes o quê. Eheheh...]


Publicado por void em 06:46 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 17, 2004

MARLANGO

Um álbum que nos proporciona uma viagem por terras da alegria, da tristeza, assim como pela desolação e pela esperança. Um álbum com as seguintes faixas:

1. Madness
2. Green on blue
3. Gran sol
4. Nico
5. I suggest
6. Enjoy the ride
7. It's all right
8. No use
9. Once upon a time
10. My love
11. Maybe
12. Frozen angora
13. Every

Canções lindíssimas... lindíssimas, com sonoridades excelentes.

Marlango é um grupo surgido em Madrid nos finais do ano de 1998, tendo como vocalista a actriz espanhola Leonor Watling que participou, entre outros, nos seguintes filmes: "Hable con ella", "Son de mar", "A mi madre le gustan las mujeres" e "Mi vida sin mi".

Procurem conhecê-los. Garanto-vos que vale absolutamente a pena.

Publicado por void em 10:37 PM | Comentários (2) | TrackBack

OUTUBRO NEGRO- FNAC CHIADO (LISBOA)

Pois é! Na FNAC Chiado, em Lisboa, desde dia 15 e até final deste mês decorre a iniciativa "Outubro Negro", com a selecção e destaque de livros (onde se inclui BD), filmes e música enquadráveis num universo negro. Quem gostar dê lá um salto pois vale realmente a pena.
Neste âmbito estarão ainda presentes "à mesa" editores e jornalistas para falar sobre música, nomeadamente o que se faz e vai fazendo no mercado nacional e internacional. Mais: a animar este ciclo, a exposição retrospectiva de pranchas de BD de Alan Moore. Quanto a bandas em cartaz que marcam presença nesta quinzena: "Shadowsphere", "In Solitude", "The Temple", "Secrecy", "Red Wine", "Icon & The Black Roses", "Speeding Bullets", "We Were Werewolves", "Shrapnel", "Cycles", "Theriomorphic" e "Dr. Salazar".
Sendo que esta é já a 4ª edição da iniciativa, nada melhor do que contribuir para o aumento da sua qualidade e da qualidade no futuro com participações entusiasmadas. Assim sendo: força!

Publicado por void em 08:55 PM | Comentários (0) | TrackBack

AMOR ("ESPAÇO SUB-20")


(Fotografia de Margarida)

Peguei nas tuas mãos, e elas ficaram junto das minhas, enquanto nos olhávamos. Os teus olhos transmitiam o oceano. O oceano em que um dia iríamos navegar. As tuas mãos tão suaves, faziam-me sonhar, entrar nas mais belas recordações e ficar assim, como se tivesse hipnotizada. E tu não dizias nada. Deixavas com que eu continuasse a viver esse mundo de breves instantes, um mundo à parte, só meu. Tu percebias. Tu conseguias entender o que eu estava a viver. E sorrias. E olhavas para mim e continuavas a sorrir, um sorriso terno e duradouro. Um sorriso, apenas um sorriso que teve a capacidade de me fazer acordar. Senti que o que estava a viver não era, não podia ser, um sonho. As mãos, o olhar e o sorriso... era tudo tão real. Tudo me fazia estremecer. Os teus olhos brilhavam, o sorriso permanecia intacto e as mãos, as mãos continuavam a ser suaves mas que ao senti-las junto das minhas, tinham a força de me fazer parar. Eu gostava de olhar para ti. De te ouvir. De te sentir e ver que realmente eras tu. Ficámos de mãos dadas, assim como para sempre.
Decidimos caminhar, e o silêncio acompanhava-nos incondicionalmente. Éramos só nós. Eu, tu e o silêncio. Caminhámos juntos pelo infinito. À descoberta. Não sei o que poderia ser. Não sei o que procurávamos. Mas era algo. Algo que nos fazia ficar assim: unidos. Deveria ser algo muito maravilhoso, mas a verdade é que no momento a única certeza que tínhamos é que era algo inimaginável. Não sabíamos se era algo que se pudesse tocar, sentir , pegar. Tudo era estranho, mas também tudo estava a ser perfeito, algo digno de um sonho inacabável. E eu estava feliz. E essa contradição de sentimentos faziam com que tudo não fosse apenas poeira, fazia com que tudo não ficasse em cinzas, fazia com que eu me apercebesse que algo tão contraditório só quisesse significar uma coisa: vida. Eu estava a viver, aquilo não era, mesmo, um sonho. E isso trouxe-me uma felicidade incalculável. A tua pele macia, fazia com que eu ficasse a acariciá-la eternamente. Éramos um só. Só poderia ser. Ambos éramos feitos das mais belas gotas que durante anos caíram em terra firme. Os nossos cabelos eram dignos do mais magnífico tesouro jamais encontrado. A nossa pele parecia ser feita de seda. E os nossos olhos, de cores diferentes, tinham a mesma doçura. Éramos tão iguais que tanta igualdade fazia com que fossemos tão diferentes. Quando eu dizia sim, tu dizias não. Era sempre assim. Iguais. Mas cada um com um toque especial. E era esse o toque que nos fazia ser diferentes. Diferentes um do outro. Diferentes do mundo e para com ele. E era assim que nos sentíamos bem.
Caminhámos , caminhámos ... caminhámos horas a fio. Nada nos fazia parar. Aquela vontade louca de procurar algo estava a se apoderar de nós. E sem nos apercebermos estávamos cada vez mais obcecados por essa “coisa” que nem nós sabíamos o que era. Era uma coisa tão simples, mas só a descobrimos com o passar do tempo. Foi o tempo que nos deu a resposta e essa era tão óbvia que demorou tempo a ser descoberta. Procurávamos a felicidade. E nela estava contida o nosso amor.
Hoje somos felizes e amamo-nos de uma maneira tão especial, que queremos para sempre ficar assim. Enrolados um no outro. Como um só. O teu e o meu corpo passaram a ser apenas um. Vá, não digas nada, vamos ficar assim. Para sempre.

(Sara- O MUNDO À JANELA)

[A Sara é a minha primeira participante no "Espaço Sub-20", a ser apresentada. É ela que faz a inauguração. Merecidamente! Esta rúbrica vem enquadrar "formalmente" a colaboração de alguns jovens aqui no blog, através da edição de trabalhos da sua autoria. Existe já uma outra rúbrica onde escritos de jovens são divulgados- e aqui refiro-me ao espaço "DN Jovem"- contudo, existem e vão existir textos de autores com idades superiores a 20 anos, textos esses que não foram editados na blogosfera. Ora, o que vou apresentar agora é diferente, quer pelas idades, quer pelo espaço de edição. No caso dos textos que já tenham sido apresentados na blogosfera, será indicado o blog de origem; caso seja um inédito, tal será referenciado. Espero, pois, que os trabalhos se multipliquem e que muita gente nova por aqui apareça. Muita força para todos vós! Sandra]

Publicado por void em 08:32 AM | Comentários (10) | TrackBack

outubro 16, 2004

DESTRUIÇÃO E DERROTA

Um homem pode ser destruído, mas não derrotado.

(Ernest Hemingway- O VELHO E O MAR)

Publicado por void em 05:50 PM | Comentários (0) | TrackBack

NÓS


(Autor desconhecido)

Quero uma ilha sem cais ou praia
Um pedaço de terra num mar afastado
Esquecido no leme de um barco naufragado

Ao largo em mares vizinhos
Quero monstros marinhos
Quero tormentas e receios
Quero os rumos errados da História
Quero um mundo recto e plano
Quero bússolas de engano
Quero rotas sem glória

Nesse pedaço de terra
Quero um adulterado labirinto cruzado
Elevado a um expoente norte simulado
Um norte desmagnetizado

E quero-nos a nós
Nessa ilha sem cais ou praia
Sem norte ou raia
Sem início ou fim
Nós
Assim
Sós
Ilha que não se possa encontrar
Pedaço de terra por penetrar

(Luís Miguel- VERTENTES)


[A tua poesia é inevitável aqui, Miguel. Tu sabes.]

Publicado por void em 11:43 AM | Comentários (1) | TrackBack

PAULA REGO: EXPOSIÇÃO EM PORTUGAL

Desde dia 15 deste mês até 23 de Janeiro de 2005 os apreciadores da pintora Paula Rego (n. 1935), podem usufruir dos seus mais recentes trabalhos (pintura e desenho) no Museu de Arte Contemporânea de Serralves (Porto).

A exposição está/estará patente ao público de Terça a Domingo das 10.00h às 19.00h, assim como Sexta e Sábado até às 22.00h.
Pela qualidade do trabalho da pintora, a não perder!


[Pintura- "Mulher-cão" (1994); Desenho- "Repugnance", (2001)]

Publicado por void em 10:38 AM | Comentários (2) | TrackBack

JAMES BOND: OS FILMES (6)

Retomando a apresentação dos filmes respeitantes ao agente secreto britânico James Bond, eis mais duas missões/aventuras: "For your eyes only" (1981) e "Octopussy" (1983).
Assim, e quanto aos registos em DVD:

Neste filme "Quando um navio britânico é afundado em águas estrangeiras, as superpotências começam uma corrida para capturar a sua carga: um controlador para submarinos nucleares. 007 é enviado para uma das suas mais impressionantes aventuras para impedir que o aparelho caia nas mãos erradas... e impedir a devastação do mundo."

Participações: Roger Moore, Carole Bouquet Topol, Lynn-Holly Johnson, Julian Glover.

Opções especiais: Comentários audio de John Glen (realizador) e elenco; Documentário "Inside For Your Eyes Only"; Video musical de Sheena Easton "For Your Eyes Only" e outras.

Duração: c. 121'

Neste filme"James Bond pode ter encontrado uma adversária à altura em Octopussy, uma bela vilã envolvida num plano militar devastador. Dos palácios da Índia a um comboio desgovernado na Alemanha, passando por uma batalha aérea na asa de um avião a jacto, apenas o agente 007 pode parar as maquinações de Octopussy."

Participações: Roger Moore, Maud Adams, Louis Jourdan, Kristina Wayborn, Kabir Bedi.

Opções especiais: Documentário "Inside Octopussy"; Comentários audio do realizador John Glen e outras.

Duração: c. 125'


Vá lá: recordem ou vejam pela 1ª vez. Divirtam-se!

Publicado por void em 09:58 AM | Comentários (0) | TrackBack

A VIDA COMO UMA NÁUSEA


(Fotografia de Bruno Espadana)

A vida pode ser sentida como uma naúsea no estômago, a existência da própria alma como um incómodo dos músculos. A desolação do espírito, quando agudamente sentida, faz marés, de longe, no corpo, e dói por delegação.
Estou consciente de mim em um dia, em que a dor de ser consciente é, como diz o poeta,

languidez, mareo
y angustioso afán.

(Bernardo Soares- LIVRO DO DESASSOSSEGO)


[Após um período de necessitado parar, por razões relativas a cansaço pessoal, eis-me de volta aos posts e para junto de vós, aqui nesta casa. Sandra]

Publicado por void em 08:40 AM | Comentários (2) | TrackBack