No Sábado passado o jornal "Público" fez-se acompanhar pelo 1º volume da colecção "Os poemas da minha vida" (2ª edição), correspondendo este a um conjunto de poemas compilados por Mário Soares. Evidentemente que, pela minha parte, a leitura dos mesmos não poderia deixar de ser feita, assim como o completar da colecção de acordo com as saídas a verificar.
Pela importância e qualidade do projecto editorial, pelas pessoas convidadas para darem o seu contributo e pela variedade de nomes de poetas (nacionais e estrangeiros) escolhidos, não tive dúvidas em convosco fazer tal partilha, trazendo aqui alguns desses poetas e suas produções.
Hoje e amanhã apresentar-vos-ei algumas das escolhas de Mário Soares e ao longo das próximas semanas, escolhas de outras personalidades da sociedade portuguesa.
Porque em tudo isto é também o meu gosto pessoal que está em causa, espero que gostem dos poemas que aqui são/serão editados. E começando já, eis os seguintes:

NOVA, NOVA, NOVA, NOVA
Não era a minha alma que queria ter.
Esta alma já feita, com seu toque de sofrimento
e de resignação, sem pureza nem afoiteza.
Queria ter uma altura nova.
Decidida capaz de tudo ousar.
Nunca esta que tanto conheço, compassiva, torturada
de trazer por casa.
A alma que eu queria e devia ter...
Era uma alma asselvajada, impoluta, nova, nova,
nova, nova!
(Irene Lisboa, 1892-1958)
ESTA GENTE/ESSA GENTE
O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente
Gente que seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente
Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente
Gente que enterre o dente
que fira de unhas e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente
O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente
(Ana Hatherly- 1929- )
NÃO POSSO ADIAR O CORAÇÃO
Não posso adiar o amor
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
(António Ramos Rosa, 1924- )
[Mário Soares (comp.)- Os poemas da minha vida. Vol. 1. 2ª ed. Lisboa: Público, 2005. (Col. "Os poemas da minha vida). Fotografia de José Marafona]
nao perdi nada apenas a iluzao ke tudo podia ser meu pa sempre para nos iludirmos e sermos donos das coisas e dos outros komigo trago a capacidade de amar eternamente estarei devotado a ser akilo ke kis no meu coraçao teu fogo atiça os meus olhos ke sao a janela do meu ser ke deixo transparecer pelos ventos infinitos do norte kuando eu morrer o vento me levara para o principio da criaçao e de la renascerei komo 1ma ave de fogo ke renasce das suas cinzas voltarei a semear a vida komo gotas caidas do ceu e ke darao vida a tudo e a todos e dai o amor nascera e tu voltaras a ser akilo ke sempre foste a minha alma gemea MINHA AUTORIA 9/3/05
Afixado por: parker em maio 21, 2005 11:00 PM