janeiro 11, 2005

A PRESA ("ESPAÇO SUB-20"/ENSAIO DE ROMANCE)

Após um intervalo maior entre capítulos, eis mais um daqueles que compõem a estória da Mónica. "A presa" é, de facto, mais um avanço nos acontecimentos, sendo que desta vez algo acontece de absolutamente surpreendente... pelo menos para o nosso personagem masculino principal. Realmente, as mulheres são demais!
Quanto à ilustração... é a seguinte a minha sugestão para complementar o conteúdo do capítulo:

Deixei o orgulho para trás e telefonei-te para jantares comigo. Claro que recusas-te e quando já arrependido e a odiar-me ia pousar o auscultador, disseste-me que aceitavas desde que fosse em tua casa. Mal queria acreditar; voei para lá com medo que desistisses da proposta. Abriste-me a porta com um sorriso delicioso e convidaste-me a entrar .
A mesa estava posta e sente-se o cheiro de algo delicioso no ar; dizes para me sentar no sofá enquanto vais à cozinha fazer algo. Fico ali de longe a observar-te envolta em tachos e panelas que maneias com a mesma delicadeza e precisão com que fazes tudo. Esforças-te para ser perfeita. Em cada coisa que fazes dás sempre o melhor de ti ; mas sempre foste igual e aprendi a amar-te assim.
Sais sorridente e perguntas-me se quero beber algo. Abano a cabeça ainda incrédulo por tanta simpatia demonstrada.
- O teu JB, como sempre - e piscas-me o olho enquanto me estendes o copo e te sentas ao meu lado no sofá. Sinto o teu perfume cada vez mais perto, a tua colónia de sempre misturada com o aroma de baunilha do teu champô, combinação invulgar mas explosiva … Sinto-te estranhamente afável e não me pareces nem um pouco incomodada quando me inclino sobre ti e te beijo suavemente. A vontade quase insana de te possuir vem sobre a forma de um doce beijo; recuas … o que me faz sentir inseguro. Mas puxas-me para ti logo de seguida e retribuis o beijo plena de desejo… o que me deixa surpreso. O beijo cresce… passeias os teus dedos algures pelo meu cabelo e pela minha roupa. Beijas-me desenfreadamente … agarras, puxas, despenteias-me … e de repente páras!
- O jantar … o jantar vai ficar frio! – dizes-me enquanto te levantas e te recompões. Vejo-te a ajeitar a roupa enquanto caminhas para a cozinha. Sais de lá pouco tempo depois com uma bandeja na mão; pareces fria e distante .
- Não vens para a mesa? – dizes quase sem me olhar. Sinto-me como uma presa fácil que conseguiste atrair para o teu ninho, sinto-me de alguma forma usado, mas tento não o demonstrar… Sento-me na mesa frente a ti e tento disfarçar o nervosismo.
O jantar corre de uma forma cordial, falamos de tudo e de nada. Evitas olhar-me e eu não consigo tirar o teu beijo da cabeça, nem o teu aroma das mãos , não oiço metade do que dizes; tenho vontade de te agarrar e te ter ali!
A noite vai longa , ajudo-te a arrumar a cozinha e despeço-me com um beijo na face. Espero que retribuas, mas limitas-te a dizer-me adeus. E saio sem olhar para ti, que continuas na porta a ver-me descer as escadas. A noite sem ti está agora fria.


(Mónica- MY PAPER MOON. Ilustração de David Ho)

Publicado por void em janeiro 11, 2005 06:30 PM
Comentários

Confesso já ter saudades desta historia! =) Sandra, já q gostaste tanto da minha sugestão musical para o outro post, deixo aqui mais um. Releiam este post ao som de Steriophonics - nothing compares to you (acho q n dei nenhum erro! lol) Um abraço!

Afixado por: missantipatia em janeiro 11, 2005 07:22 PM

É extremamente interessante este exercício que tu fazes, Missantipatia. Realmente! ;)
Mais uma vez, obrigada.
Mónica: atenção à sugestão, ok? Eheheheh..

Beijoka para ti :)

Afixado por: Sandra em janeiro 11, 2005 08:08 PM