Inicio este novo ano aqui no Abismo com um poema de alguém que me merece muita consideração pelas capacidades que tem em termos de escrita, mas não só, na medida em que há também uma vertente de trabalho versando a Fotografia que não deve ser esquecida. Apresento-vos, pois, e para quem ainda não conhece o Ricardo Biquinha, responsável pelo blog luz.de.tecto
Este blog é um espaço que frequento com particular agrado desde que me foi proporcionada/permitida a sua descoberta, na medida em que desde o primeiro momento tudo nele me atraiu: os textos, o trabalho fotográfico apresentado em complemento e todo o ambiente existente, de um cuidado e envolvência extremos.
Uma vez que das fotos não vou (pelo menos numa 1ª fase) fazer exposição/edição, saliento aquele que é o trabalho de escrita do autor. Iniciarei este percurso, que é ao mesmo tempo uma aposta, pela apresentação de um poema que considero muito bem escrito, onde a sensibilidade está inerente de uma forma incrivelmente conseguida. Este poema teve, em mim, um impacto muito grande. Espero que aconteça o mesmo com cada um de vós que o passará, seguidamente, a ler.
Relativamente ao Ricardo, quero desde já destacar, que tem bastantes heterónimos. A eles terão de se habituar sempre que contactarem com os trabalhos que de si aqui farei referência, até por uma questão de organização mental, de acompanhamento de estilo e temáticas, por exemplo. Começo com o heterónimo [de]mente. Outros se seguirão (mas igualmente se repetirão). Quanto a este, em particular, comecem desde já a formular opinião. Mas...
... passemos, então, ao poema que ilustro com a seguinte foto:

teu corpo meu molde
de tanta energia me deixas existir
por mais alma a fundir em molde
odre, couro e tanta duplicidade
e índole que desvia, de primitivo
que lhe permite retomar vontade
faculdade, que possui teu corpo
de tanta flexibilidade e resolução
que em meu vigor deixas existir
meu corpo que é fonte e destino
teu corpo que é fonte de origem
e recordo em contento e indicação
em forma de um quadro, manancial
que corre incessantemente, óleo
tomando o corpo em fluido, brando
em construção usando fonte, forma
relevo, talha e padrão que derrama
neste teu corpo de norma, matriz
© de[mente]
(Fotografia de Naushér Benaji)
Uma coisa eu vos garanto desde já: este poema foi/é apenas o começo de um projecto de trabalho que objectivo empenhadamente aprofundar. Lancei um desafio ao Ricardo e como sei que a correspondência se vai dar cada vez com maior consolidação, digo-vos sem qualquer tipo de dúvidas: daqui para a frente será melhor, melhor, melhor.... É ou não é Ricardo?
Beijo grande para ti e sê muito bem vindo aqui à minha casa blogosférica. Sandra
Matriz: sem dúvida, grande intensidade na escrita. Abriste 2005 com excelente qualidade e agora a responsabilidade é ainda maior…:)… Parabéns e um beijinho para ti.
Afixado por: Miguel em janeiro 2, 2005 04:22 PMMiguel: pois... quanto ao poema já expressei a minha opinião. O que disseste é importante, na medida em que faz o reforço ao conteúdo da mesma.
Agradeço as tuas restantes palavras. Muito obrigada. Quanto à responsabilidade: é uma realidade muito grande ;)
Beijo doce :)
Afixado por: Sandra em janeiro 2, 2005 06:36 PMTu és incansável! Temerária e persistente! Aqui tenho encontrado divulgados grandes figuras. bem hajas! Este poema, mais precisamente, é 'obra' mesmo! Aquela sensação de coisa inteira, fem beito e sumarento. Continua. Continua que é bom vir beber água fresca às fontes q aqui destapas.
Big hugs