
(Fotografia de José Marafona)
Porém a terra acordou cansada.
Vezes de mais deu vinho e pão à força, à usura. Recusou a oferta de ouro, mas alimentou o exército errado. Confundiu a
espada com os tranquilos.
Agora cansou-se; fechou a porta. Não é o momento da dança,
ainda, nem sequer do repouso.
De manhã o homem volta ao trabalho; a mulher ao adultério.
É o último homem a baixar o coração que o diz: não existe terra
onde o mal se esconda.
Na manhã seguinte o exército regressa;
e até os santos começam a aceitar, no caminho, a carruagem
confortável e as coroas de ouro.
(Gonçalo M. Tavares- POESIA 1)
A Fundação Canzoada deseja a todos os seus leitores e amigos um Feliz Natal e um próspero Ano Novo.