Esta semana com o retomar da rúbrica "No Abismo com...", temos como convidada Sílvia Chueire (pseudónimo: Eugênia Fortes), originária do Brasil, em particular, do Rio de Janeiro.
Desde há algum tempo que conheço o trabalho da Sílvia/Eugênia e nunca lhe fui indiferente pela qualidade que tem inerente. A autora já viu os seus poemas editados aqui no Void várias vezes, sendo que por isso mesmo faz todo o sentido considerá-la neste novo espaço, para que um novo destaque ou impulso de divulgação seja dado.
Ao longo desta semana vários poemas serão editados e uma vez que a autora tem um pseudónimo, serão tidos em conta trabalhos assinados das duas formas. O registo diferenciado será feito sempre que a escolha recair sobre poemas assinados ora de uma ou de outra forma.
Sem mais delongas inicio a apresentação de parte de obra da(s) autora(s) que, espero, seja do vosso agrado. Avancemos, então:
INVENTÁRIO

rabisco o inventário de mim mesma:
carne, ossos, sentimentos.
nunca sei por onde começo,
ou se termino.
histórias, uns poemas,
e a mente a fabricar perguntas.
é descansado meu respirar,
um pouso, uma pausa,
ao anotar os versos.
os passos em torno do tempo,
afetos, amigos poucos,
sexo, a história comum,
os sentimentos ocultos num riso,
nas pálpebras baixas.
a transgressão eventual,
mas firme de convicções.
ou o olhar amoroso , frontal,
óbvio.
um inventário,
coleção de pequenas coisas
que sou.
e em sendo assim,
que já não sou.
nada direi sobre o vinho, tinto,
sobre as esféricas evoluções
da fumaça dos cigarros,
nem sobre a gana de bailar,
de cantar um canto saleroso
cada vez que ouço o rascante
de uma guitarra flamenca,
e uma canção escala-me o peito.
ou de entoar um blues, um lamento,
nas noites sós e sem lua.
sobre ser mulher, nada direi,
que este é um segredo a ser mantido.
o amor, raro.
filhos, laços.
lágrimas, alguma dor,
algumas alegrias,
e estas linhas tecidas
nas noites longas.
o olhar líquido para o horizonte:
o mar, sempre o mar.
e a determinação de ser feliz.
não tem utilidade este inventário,
não me salvará do esquecimento.
salva-me, talvez,
de esquecer-me.
LABIRINTOS

há labirintos que são uma renda
na qual os olhos se emaranham
e as mãos trabalham cuidadosas,
construindo detalhes
em voltas quase imperceptíveis
que cobrem e descobrem
e desenham desenhos impossíveis:
os mais belos.
nestes labirintos eu me perderia
com a alma leve
e o corpo a cantar
num ritmo de blues.
como se tecesse cada dia.
como se tecesse a minúcia,
a curva,
o fio tênue;
entremeadas as palavras
e os passos.
fôlego breve,
grito semi surdo,
olhos voltados para o encantamento.
vida a correr nas veias.
(Poemas assinados por Silvia Chueire- EUGENIAINTHEMEADOW. Fotografias de Beat A. von Weissenfluh)
[Sílvia, é um prazer enorme ter-te aqui e um grande desafio ilustrar cada um dos teus poemas. Garanto-te que me vou esforçar e tudo fazer para que o teu trabalho saia bastante reforçado em termos de apreciação (positiva)neste mundo da blogosfera. O teu lugar aqui no Void é uma garantia. Tu sabes. Um grande beijo ai para esse lado do Atlântico. Sandra]
Viva!
Uma visitinha a esta casa para agradecer apoio(s) recebido(s).
Um abração do
Zecatelhado
Silvia adorei o teu trabalho ,nao conhecia a tua escrita mas gostei imenso desta primeira amostra, parabens. Sandra kanto a ti melgita continuas a fazer excelentes escolhas ,beijokas as duas***********
P:S: Ando mesmo com a cabeça na lua eskeci me do anexo (depois mando),beijoka especial ***
Zeca:
Volta sempre! Esta casa é tb tua.
Beijinho :)
Mónica:
A Sílvia é uma excelente poetisa. Estas edições que fiz e outras que aqui trarei provam isso mesmo. Existem realmente mensagens muito importantes em cada um dos seus poemas. Importantes e apresentadas com uma consistência/qualidade enormes. Tudo é simplesmente complexo ou complexamente simples. Vai ver!
Beijokinhas, ó cabeça no ar :))))
Afixado por: Sandra em novembro 29, 2004 01:30 PMA sensibilidade de escrita, a sensualidade nela contida e firmeza sublime de sentimentos e verdade. Um escrita que me agradou bastante pela sua leveza e harmonia em conjunção com as imagens que mais uma vez conseguiste ilustrar na perfeição o conteúdo das palavras desta poetisa. Os poemas são quase que... musicais; se não o são mesmo. Uma melodia que nos inspira calma e confiança mostrando-nos que para chegarmos ao céu não temos necessáriamente que escolher os caminhos mais íngremes. A ti, Sandra, os parabéns por nos teres dado a conhecer o trabalho desta excelente autora, e os parabéns à autora pela sua enorme qualidade. :********* ;)!!!!
Afixado por: alexandra em novembro 29, 2004 04:37 PMOlá Sandra.
Obrigado pela visita que me permitiu vir conhecer-te. Vejo que já perdi muito. O teu blog está com mta qualidade, seja a nivel grafico seja a nivel de conteudos. Vou obviamente ter de me perder pelos arquivos de forma a conseguir fazer um catch up com mais de um ano de Void.
Beijinhos
*A
Alex: não posso deixar de sublinhar que os comentarios que pelo Void vais deixando, seja em que post for, são sempre muito pertinentes. E são-no, pelo aprofundamento que fazes dos conteúdos/imagens que os originam. Isso é de louvar e só enriquece este meu espaço. A tua presença é, por isso, indispensável :)*****
Alexandre: muito obrigada pela visita e pelas palavras que deixaste registadas. Acredita: saber quem vocês são, ou seja, quem me visita, é muito importante para mim. São vocês, e agora tb tu, que justificam e dão alento a todo o meu trabalho. Beijinho :)
Sandra,
Sandra,
O meu agradecimento pelo seu gesto. Pelo carinho com os meus poemas, pelo tratamento dado a eles. É sempre bom vê-los assim, em outro lugar, tão bem escolhidos, tão bem acompanhados.
Monica e Alexandra, obrigada. Pela atenção e pelas palavras.
Beijos,