novembro 23, 2004

AMOR ASSIMPTÓTICO


(Fotografia de Christopher Voelker)

Viram-se e correram um para o outro, mas a cada passo que davam, algo resistia ao seu avanço com crescente potência. No entanto, o desejo crescia ainda mais rápido e obrigava-os a seguir. Exaustos, aproximaram-se o suficiente para verem a cor dos olhos um do outro; outro esforço, e ela reparou que ele tinha dentes muito brancos e perfeitos; outro, e ele viu um lunar diminuto na testa dela; um pouco mais, e só tinham que estirar o corpo e estender as mãos para tocarem-se. Estiraram o corpo. As mãos procuraram-se, avançaram penosamente, continuam avançando, as pontas dos dedos já sentem a iminência do toque, estão muito próximo, cada vez mais próximo, as marcas do esforço descomunal gravam-se nas caras enquanto o desejo se torna intolerável e eles empurram as suas mãos até ao limite infinitamente próximo, absolutamente inalcançável.


(Raúl Brasca- Microconto editado na revista "Periférica". Nº 11. Outono 2004, p. 69)

Publicado por void em novembro 23, 2004 06:12 PM
Comentários

Ás vezes deseja-se tanto uma coisa que quando se pode tê-la não se é capaz de a enfrentar.
Beijos

Afixado por: Monalisa em novembro 23, 2004 08:59 PM

Ou então podemos estar tão perto dela e mesmo assim não a alcançarmos. E aqui refiro-me muito para além do que pode ser tocável ou respirável. Domínio para além da partilha do espaço, evidentemente.

Beijinho Monalisa :)

Afixado por: Sandra em novembro 24, 2004 07:13 AM

Querida Sandra, não posso deixar de concordar com as palavras da Monalisa; eu também pensei assim quando li o texto. Também concordo com o que foi dito por ti... por vezes aquilo que queremos está tão perto de nós... e os nossos olhos não vêem aquilo que o nosso coração deseja... Um beijo com muito carinho; adoro-te :*

Afixado por: alexandra em novembro 28, 2004 04:57 PM