
(Fotografia de Elena Vasilieva)
“Amo-te. Amo-te tanto. Amo-te como nunca amei ninguém. E magoa-me muito que digas certas coisas, e que duvides do que sinto por ti”. Este era o monstro antes de ser monstro. Ou será que foi sempre monstro? Era o monstro adormecido. O monstro que eu despertei. Culpa tua. Puta dissimulada.
Como foi que despertei o monstro adormecido? Alimentei-o com o meu amor nas circunstâncias da vida.
Comecei por alimentá-lo com palavras e suspiros. Alimentei-o com a minha voz. Dei-lhe a minha vida toda, assim, como se a bagagem que trazia a abarrotar de factos passados e presentes, se tivesse aberto com um golpe de navalha, assim, aos pés dele. Fiquei de pé, imóvel e com os olhos muito abertos. Exclamava, em desespero. E agora? E agora? Estava tudo ali espalhado pelo quarto da nossa vida em chamas.
Dei-lhe o meu corpo. Dei-lhe o meu corpo aos bocados. Dei-lhe os meus braços. Não lhe pedi que viesse ao meu encontro. Abracei-o, simplesmente abracei-o com toda a força que tinha no momento. E não conseguia desprender o meu corpo. Temia que nunca mais nos voltássemos a tocar. E dei-lhe as minhas mãos. As nossas mãos que transpiravam de ansiedade. Era estar contigo. Era não querer largar-te mais. Era estudar cada linha da tua mão e alterar as voltas que o destino dá. As voltas que o destino marca. E eu tinha essa hora marcada contigo. A tua mão fez parar o veículo da minha alma e quando menos se esperava ele passou todos os semáforos que nos roubavam os minutos; e eu avancei perante todos os sinais vermelhos da vida quebrando leis e regras e tudo quanto existia à nossa volta; ainda que fosse por momentos.
Eu dei-lhe o corpo despido e livre de amarras. Eu mostrei-me tal como sou sem medo de ser julgada. Eu dei-lhe o meu sorriso e o meu choro e dei-lhe tudo aquilo que estava ao meu alcance.
Para quê?
Para que o monstro despertasse. Para que o monstro se alimentasse dos meus sonhos, do meu amor, da minha esperança. Para que crescesse com as minhas fraquezas e que depois, mais tarde, quando eu menos esperasse ele desferisse a machadada final.
O monstro riu-se. Riu-se muito com o meu desespero. As tragédias provocam-lhe o riso e isso fá-lo ficar maior e mais forte. Embora o monstro que despertei nunca o admita. Será que o monstro chorou alguma vez na vida?
“Esta é a mulher que eu amo”, e a mulher que eu destruí.
Conseguiste varrer tudo de bom que eu tinha no meu interior. Conseguiste destruir o crédito que eu ainda dava à palavra amor, como sinónimo de afecto e de bem-querer ao outro. Sinto que só me desejas sofrimento. Entre lutar e abandonar tu escolhes a segunda via por ser a mais fácil. Só pensas em ti. O teu orgulho disse-me, um dia, baixinho ao ouvido, sem que te apercebesses. É o teu orgulho que me abandona e me fere a tiros de caçadeira. É este o cenário que me vem à ideia. O cenário de caça onde tu te divertes com os teus disparos de egoísmo a matares toda a vida existente em mim. E para onde quer que eu olhe, todos os caminhos me levam a ti. Mesmo com feridas abertas. Mesmo deixando rastos de sangue que mancham ainda mais um passado feito de ilusões. Mesmo no silêncio de tormento. Eu continuo. Tu não ouves mais nada. Estás surdo. És um monstro. O monstro que eu despertei em ti.
“Como é possível não te amar? Como é possível sequer conceber que alguém te consiga odiar? Não consigo. A cada dia que passa, amo-te cada vez mais.” Estou tão perdida, tão confusa, tão destruída que já nem sei se estas foram palavras minhas ou palavras tuas. Como é possível esse amor que sentes ser tão odioso? Acabaste de conceber a única pessoa com a qual eu me importaria que sentisse ódio por mim. Tu. E a cada hora que passa é como se todas as coisas belas que me disseste, desabassem como muralhas em cima da minha cabeça e a abrissem ao meio, fragmentando todas as memórias de todos os momentos maravilhosos que passámos.
Como foste capaz de me humilhar? Como foste capaz de apertar a tua mão e num pequeno e brusco gesto, esmagares-me desta forma? Como foste capaz de dizer tais mentiras no passado se hoje me sinto completamente desfeita! Tu és capaz de tudo isso porque és um monstro. E suponho que nunca mais voltes a cair num sono profundo. O teu orgulho supera-te e preferes abandonar... preferiste abandonar-me.
(Alexandra Antunes- FRÁGIL)
Alexandra....Que força contida nas tuas palavras, uma revolta amarga e dissimulada.Como eu sinto mts vezes isso nas horas mais negras.
Afixado por: Emanuela em novembro 23, 2004 12:01 PMCoisa boa ver-te aqui, Emanuela :))))
Sem dúvida que este texto da Alex é muito forte. Não foi por acaso que o escolhi e não foi por acaso, também, que lhe anexei a foto constante: queria um resultado com um impacto "arrasador".
Concordo contigo: sim, com as devidas adaptações, o que foi escrito pela Alex é susceptível de acontecer com qualquer uma de nós... ou nós provocarmos em outrém, dependendo do ponto de vista.
Beijo para chegar ai ao Olimpo ;)
Afixado por: Sandra em novembro 23, 2004 12:34 PMMinha kerida nao foste tu k o despertas-te ele desperta sozinho .Entendo tao bem o teu texto,ha tantos monstro assim a solta :)
Estas de parabens mais uma vez ,esta fantastico brutal eu diria. Beijo muito grande para a minha mana linda k eu adoro************
E outro para a melga k nao kero k fike com ciumes e eu tb gosto muito dela***********
Querida o que aconteceu ao interioridades?
Afixado por: Ana em novembro 23, 2004 03:39 PMMónikita:
Ciúmes, eu? naaaaaa... eheheh. Estás à vontade para elogiar a Alex. Aliás, isso só me deixa muito feliz. Ela sabe disso.
Beijinho para ti :)
Ana:
O "Interioridades" foi fechado. Optei por apostar nos outros 3 blogs que já tenho... e já dão muito trabalho.
Tenho muitas ideias para pôr em prática e isso exige investimento. E investimento exige tempo. Prefiro a qualidade à quantidade. Enfim, foi uma opção.
Beijinho :)
Afixado por: Sandra em novembro 23, 2004 04:48 PMPalavras muito fortes, Alexandra. Ou sentimentos muito fortes...nem sei....
Beijos
A todas vós que por aqui passaram, eu quero agradecer os sentimentos que colocaram nas palavras. Aquilo que tenho a dizer em relação a este texto, já o disse à nossa querida Sandra mas não posso deixar de referi-lo aqui. Foi um dos que mais me doeu a escrever... e foi parido de uma dor monstruosa. A imagem diz tudo... Sandra, mais uma vez... tocaste no sítio certo; a imagem "tem a minha cara" - sobretudo quando sofro...
Um beijo a todas vós e peço desculpa pela minha demora aqui no Void.
p.s.: Sandrinha... que bom é cair neste teu abismo... é uma queda invertida, que de dor não tem nada... é uma queda na direcção dos céus... uma queda num harém de ideias onde todos nós... perdemos os véus... :****