
(Fotografia de José Marafona)
A noite
rodeia-nos com os seus braços longos,
com as suas ferramentas negras,
e aperta-nos,
como se fosse a grande mãe antiga,
inclinada sobre os berços à deriva.
A noite
pinta os lábios de vermelho e as unhas,
abre os decotes de algodão e seda,
calça sapatos muito altos,
quando dança sobre as nossas vidas.
A noite
acende as suas luzes, as suas violentas
luzes amarelas,
e então vemos as estrelas, os recifes, as
ruas sem árvores,
todas as portas fechadas.
(José Agostinho Baptista- ESTA VOZ É QUASE O VENTO)
[Não é a 1ª vez que edito poesia deste autor. Não será certamente a última, atendendo ao muito que aprecio o seu trabalho. É um dos meus poetas de eleição, ao nível da poesia portuguesa contemporânea. O poema acima apresentado faz parte do seu último livro, o qual recomendo imensamente. Sandra]
Belíssimo poema acerca da noite, muito bem ilustrado. Não conhecia este autor, mas fiquei curiosa e com vontade de "vasculhar" aqui o blog para ver outros poemas dele. Um beijo
Afixado por: Pink, the Lady em novembro 14, 2004 03:46 PMBelissimo poema,excelente escolha.Fikei curiosa para ler mais ...
Beijokas linda*****
Pink e Mónica:
José Agostinho Baptista é um poeta fabuloso. Situa-se ao nível do Neo-Romantismo português (enfim, para o integrar em alguma categoria), sendo que este seu último livro é mais um reforço dessa ideia. Aconselho-vos o aprofundamento do conhecimento do autor. Procurem tomar contacto com a sua obra. Aqui no Void continuarei as edições de mais poemas seus. Isto é, para mim, inevitável.
Obrigada pela vossa participação :)***
Que poema bonito!
E eu, ignorante hediondo, não conhecia o autor...