
(Fotografia de Marília Campos)
Os corredores e as salas – os cordeiros alinhados e fechados com cancelas – as lajes do chão em padrões ziguezagueantes não me deixes calcar o risco portas marcadas a ferro em brasa – qual é a sala? – cigarros macerados pelo sinal das aulas.
O professor – Bom dia X
Bom dia L Bom dia W bom dia K bom dia rápido! qual é que eu sou?
- Bom dia. Desejo-te um bom dia porque não te conheço e é melhor servir as regras. Desejo-te um bom dia e sei que se o desejares para mim, se o desejares mesmo, além do vazio automático dessas palavras, se o desejares nem que for só um bocadinho, quem sabe se resultará? Quem sabe se o teu desejo influenciará as breves metas do meu dia?
As sombras de carvão balançam nas lajes – não encontro o reflexo do desnorteamento – talvez algures descubras o meu, penso para as paredes, penso para a chuva que não pára não pára não pára de me chamar – não posso ir. Não posso ir nas bordas do quadro branco outrora negro, e nos esbracejares irrequietos das rectas, os estilos decorativos e os sermões daquele padre amigo do rei.
Mantém-te firme. O vento desprega-me os dedos do chão, empurra-me para trás, para a queda que me espera no abrigo da sombra não! e combato o frio, combato o sangue, louco por tingir as folhas. Se cair, uma árvore esmigalhada dentro de mim e o silêncio do vento marulheiro depois do mar. Depois da tempestade, o silêncio.
Os dois buracos em cima do meu nariz recolhem o turbilhão, as janelas desmontadas da normalidade, lá fora a guerra contra a morte enquanto cá dentro a luta contra o grito de revolta, as asas carentes a pedirem-me o despertar das penas – não posso ir. Não posso ir, desculpa-me Dina.
O silêncio como se a morte reinasse na sala, o silêncio dentro do exterior revoltoso.
Troncos depenados de cores confundem-se com os espectros do estrado, as feições do padre são reviradas pela tempestade e – sou uma folha perdida nas outras folhas perdidas e se os céus não pararem de cair, deixa-me cair com eles.
(Dina- VIRGENS SUICIDAS)
Publicado por void em novembro 12, 2004 07:49 PMSandra. O rumo que estás a dar ao Void é, no mínimo, admirável... O meu tempo é escasso mas vou acompanhando tanto quanto posso. Continua a enviar-me via email (como tens feito) os lançamentos que aqui fazes. Gostaria imenso de me manter actual em relação aos novos lançamentos (prosa/poesia) que editas. Um grande beijinho para ti…
Afixado por: Miguel em novembro 12, 2004 08:50 PMObrigada pela visita.
Gostei do texto: é forte, é intenso!
Aida não aprendi a colocar o "raio" dos links (se reparares não tenho lá nenhum...mas hei-de lá chegar e nesse dia linko-te também)
Bjs e bom fds
Passei aqui ...e gostei. Voltarei...WB
Afixado por: whiteball em novembro 12, 2004 09:29 PMMiguel:
As tuas palavras, sempre doces, enternecem-me e envolvem-me imensamente. Muito obrigada. És um querido. Claro que sim: continuarás a ser posto ao corrente de tudo.
Beijo enorme :)
BlueShell:
Vem vinda e obrigada pelas tuas palavras. Será um prazer ter-te por aqui. Quanto a isso dos links, vais ver que rapidamente aprenderás ;)
Beijo para ti :)
Whiteball:
Ainda bem que gostaste. Sim, volta sempre.
Beijo para ti :)
Afixado por: Sandra em novembro 12, 2004 10:24 PMVim espreitar... ;)
Já conheço alguns participantes deste blog e gosto do que escrevem.
Beijinhos para todos e um mto grande para ti Sandra
Afixado por: luisa em novembro 12, 2004 10:29 PMbateu akele rol de sentimentos e lembrei-me de voltar... e ler algo bom, de facto continua com qualidade e cada vez mais variadade o blog. nice.
Afixado por: Shadow Dweller em novembro 12, 2004 10:35 PMLuisa:
Que bom ter-te aqui!
Um grande beijinho para ti também :)***
Shadow...
... boa lembrança ;)
Gosto de te ter por cá.
Beijinho para ti :)***
Aproveito mais uma vez para chamar a atenção para os trabalhos dos nossos jovens autores que aqui procuro valorizar mais e mais. Sem dúvida que todos eles contribuem para o enriquecimento deste blog.
É sempre bom mergulhar na profundidade da escrita da Dina. Mas nem sempre fácil decifrar as entrelinhas devido à sua fabulosa complexidade. Mais uma vez, volto a dizer que sou fã desta autora e dos seus textos repletos de sentimentos verdadeiros, de situações reais e problemáticas sobre as quais deveriamos reflectir muitas mais vezes.
Um beijo às duas :**** ;)