
(Fotografia de Marília Campos)
Na tua ácida ausência, as palavras - as tuas que agora são minhas, nossas - assumem-se como refúgios, lençóis onde posso negar o vazio que me abraça. Por ti, Dulcineia, ergo a minha lança contra os relógios e combato o tempo - os dias, as horas, os minutos, até os tão breves, agora tão extensos, segundos. Sorrio à sexta quando me encontras perdido - "aflito" como tu dirias - e choro à segunda quando trucidado pelos ponteiros da distância, desfeito em pedaços pela carruagem que te sequestra. Sou o pacote de açúcar que rasgas com subtileza, o papel dourado que dobras com cuidado, sou a pegada efémera que gravas no cínzeo do cimento. Sou, sou os vestígios que me deixas na tua ausência, ácida, o brilho nos teus doces olhos líquidos. Sou, não, não sou. Não sou nada sem ti. Sinto a tua falta, falta do olhar que não me devolveste quando partiste.
Sorrir é a melhor coisa do mundo.
(Krip- CANETA SEM TINTA)
[Meu querido Krip... adorei este teu texto. Muita, muita sensibilidade à flor da pele... e não só. Um grande beijinho para ti. Sandra]
...suspiro... suspiro... e... suspiro...
quando leio sentimentos tão grandiosos, é-me inevitável pensar nisto: os amores impossíveis, independentemente de todos os outros, são os mais próximos da verdade... porque são impossíveis. E o que é impossível perdura para além das portas da morte. (peço desculpa de estar sempre a recorrer à morte para me exprimir)...
parabéns ao autor deste belo e sentido texto e um beijo para ti, Sandra :*
Subscrevo a 200% tudo o que dizes, Alexandra. Acredito realmente nessa tua ideia que reforço como minha também. Quanto ao texto do Krip, pois, faz realmente suspirar. Está muito interessante e bem escrito.
:)***
Afixado por: Sandra em novembro 1, 2004 07:34 AM