
(Fotografia de Christian Coigny)
Um homem fala com o tempo e percebe que está fora da vida. Há alguém que espera o homem para lhe dizer: quem és tu? De onde vens? O homem reconhece a casa e a pessoa que ama, e o resto não existe. A mulher diz que mudou a sua maneira de ser. Diz que já não se sente a mesma. E fala-lhe em tom de poesia, mas o homem não se interessa em ouvir. Um dia não temos nada. Temos o coração limpo e vazio.
Posso entrar em casa? Não, diz a mulher. Não existe nenhum pensamento em que te possas reconhecer. Só mentiras. Eu disse-te: mentiras. O amor tem duas direcções, o homem percebeu muito bem. Também compreendeu que as palavras têm uma memória falsa.
Amar por palavras é um perigo. Não há memória para o que já não se sente.
Nunca confio em mim, disse a mulher. É um sangue, um espírito que me leva a isto: limpar o meu coração.
Um homem chega com palavras. Uma mulher está na frente do tempo e não o deixa passar. Não há uma identidade sentimental. Eu disse-te, diz a mulher. ela disse. Uma fita de palavras a limitar o espaço emocional.
É preciso esgotar todas as palavras que ficaram por dizer.
As pessoas que amam são a loucura. A loucura humana que se agarra às pessoas para explorar o amor.
(Fernando Esteves Pinto- ESCRITA IBÉRICA)
eu disse-te
Afixado por: void em outubro 22, 2004 09:48 PMtu disseste-me
Afixado por: fernando esteves pinto em outubro 22, 2004 10:52 PMHum... (Hum... é o registo de quem visitou, leu e ainda está a processar o seu pensamento)... Humm... voltarei! :) Terno beijinho Sandra.......
Afixado por: Miguel em outubro 22, 2004 11:28 PM