(Fotografia de Misha Gordin)
mentiras. mentiras embrulhadas em bytes encurralados de palavras desprezíveis. uma colher merdosa de hipocrisia junto com os sentimentos abafados de milhares. milhares de sonhos? não vejo nada a fazer pelas pessoas. deixem-se morrer, assim, com a boca atolada de omeletas mal passadas e sonhos pedrados e rasgados em cima de projectos arruinados. que futuro existe para a alma? o que resta da alma no interior desta lixeira humana? não vejo nada, além, onde a areia é ainda virgem no berço da água salgada. que fazer por essa visão, esse espaço ainda ausente? esperar?... esperar que eles venham, inundar o mar com os seus sórdidos dejectos sentimentais e os seus vómitos convencionais de uma cega justiça? esperar que atropelem o céu incontaminado com a sua urina carnal de corrupção humana? mentiras e mais mentiras. violam as asas que outrora possuíram e eu arrasto-me, só, deixando-me ficar.
hei-de morrer asfixiada nesta lixeira humana.
(Texto da autoria de "voz_perdida". Editado, originalmente, em Virgens Suicidas.)
Publicado por void em setembro 4, 2004 08:25 AM