agosto 21, 2004

A NOITE DE TODAS AS TREVAS (UM SONHO...!?)


(Fotografia de Ezequiel Lozada)

Elevo-me no ar,
Pairo,
cerro o meu punho com toda a força do mundo,
toda a raiva de uma vida,
todo o sofrimento de um coração partido.
Cerro o punho até aos dedos cravarem a carne
vazarem a pele,
jorrando gotas de sangue ,
frio,
pesado,
negro.
E caio inerte no chão
tombo dos céus
como um anjo caído
fulminado pelo pecado.
A minha face aterra na lama,
na terra húmida e negra,
polvilhada de sangue
onde cabelos e unhas soltas
se misturam com raízes e ervas...
amanhece...
O horizonte aclara em tons avermelhados...
...será a chama do Inferno que por fim me reclama?
Ou apenas o amanhecer de mais um dia?
Mais um dia de condenação...
Levanto-me...
Abro os braços...
Entrego-me à luz que me açambarca,
como um soldado rendido
vencido pela guerra
mais do que pela batalha.
A luz cega-me,
estonteia-me,
ofusca-me.
Tudo é luz.
Acordo
na minha cama...
Acordo a chorar,
lagrimas varrem-me o rosto
como gotas de chuva
latentes na janela...
Foi um sonho...
A minha mão tem a marca das minhas unhas cravada...
Foi um sonho...
Enxugo as lagrimas...
As mãos ficam sujas...
Tinha lama na cara...
Lama...

(Texto da autoria de "D. Quixote". Editado, originalmente, em Nox Scriptum.)

Publicado por void em agosto 21, 2004 08:38 AM
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