julho 28, 2004

A SAÍDA


(Autor desconhecido)

os calafrios esquartejados pelo corpo. as pontinhas afiadas das agulhas nos segundos de pele arranhada. os GRITOS flamejantes da loucura a perfurarem os poros dilatados da mente
estrago físico. estrago emocional
as unhas com restos de carne a fecharem-se sobre as pálpebras ressequidas. o velho sangue a escorrer pelo canto dos olhos até às gretas dos lábios. esmurrar-se incontrolavelmente na esperança de que o sofrimente cesse
voltas e voltas sobre os membros cansados
- quando é que isto parará?!?...
frio
frio a estremecer o resto de luz existente. frio a percorrer as veias, o interior desconcertante. um martelo a debater-se contra as teclas do piano
- POM. PLIM. PLIM. PLUM. POMMM. PUMMMMMMMMMMMMMM
nunca mais acaba. nunca mais acaba. as vozes estridentes a subirem pelas goelas estranguladas. um tumor a enegrecer as janelas e o chão do quarto lâminas esmagadas a esfolarem as paredes da caixa toráxica
e tu agarras os ossos do peito, sufocas entre os soluços agoniantes e gritas até não haver mais um som vitorioso
o silêncio
- quem está aí?
pensamentos a sacudirem a cabeça com força. dores e dores em todo a parte mas não consegues chegar a lado nenhum
os dias a morrerem lá fora. as noites a morrerem cá dentro
- não aguento mais. não aguento mais. não aguento mais. mais não. não. não.
não aguento mais. NÃO AGUENTO MAISSSSSSSS
o desejo de retornar ao que antes se tinha
a loucura
o desespero
a impossibilidade do confronto
a saída.

(Texto da autoria de "Execrável". Editado, originalmente, em Nox Scriptum.)

Publicado por void em julho 28, 2004 10:39 AM
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