
(Autor desconhecido)
ditar as palavras à semelhança de uma marcha fúnebre mal coordenada. instrumentos possuídos por loucos músicos sentimentais, abandonados ao desprezo dos mortos. uma história desenrolada pelas notas desconexas de destruídas emoções baralhadas. cartas e cartas perdidas de seus jogadores. o momento gira à volta das palavras. as palavras que expelem sentimentos como as mandíbulas das serpentes que expelem o seu veneno de modo a ofuscar as vitimas e a entorpecer-lhes os movimentos. palavras mortíferas. palavras assassinas. volto a pisar os meus pés num caminho já percorrido. sentir-me re-repetida. clones e abortos de misérias desconhecidas e tão bem concebidas. são contextualizados em vidrinhos de vitrinas sujas, em personagens-fantasmas expostas ao público das cadeiras vazias. um espectáculo que decorre sem espectador. quem poderá mastigar o que vem do eu? e se não pode ser mastigado como pode sobreviver o eu? o eu morre, o eu vive em conquistas de receptores, o eu mata e o eu morre novamente. entretanto, as palavras. as palavras dentro do eu vivo e o eu dentro da palavras mortas.
um nevoeiro de palavras a perseguir-me. estou isolada em mim.
(Texto da autoria de "voz_perdida". Editado, originalmente, em Virgens Suicidas.)
Publicado por void em junho 30, 2004 12:09 AMTexto de desatino, de uma "voz perdida" em si! Às vezes é mesmo assim! Beijo.
Afixado por: Pink Lady em junho 30, 2004 07:19 PMEXCELENTE! Imagens fantásticas que despertaram verdadeiros impulsos dentro de mim. (espero poder publicá-lo no meu espaço também!)
Afixado por: NF, o imbecil em julho 4, 2004 10:59 AM