junho 29, 2004

À LEITURA DE ...

DANIEL FARIA


Estranho é o sono que não te devolve

Estranho é o sono que não te devolve.
Como é estrangeiro o sossego
De quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
De quem já só por dentro se ilumina
E surpreende
E por fora é
Apenas peso de ser tarde. Como é
Amargo não poder guardar-te
Em chão mais próximo do coração.


Como reporás a terra arrastada

Como reporás a terra arrastada
Para a boca?

Foges e foges
E repousas à sombra da velocidade.

E ao extinguires-te dizes
Tudo
O que podia ser dito
Sobre a luz.


Guarda a manhã

Guarda a manhã
Tudo o mais se pode tresmalhar

Porque tu és o meio da manhã
O ponto mais alto da luz
Em explosão


O meu projecto de morrer é o meu ofício

O meu projecto de morrer é o meu ofício
Esperar é um modo de chegares
Um modo de te amar dentro do tempo


Rendição

Deponho as armas:

Primeiro a voz
Depois a luz
Por fim as mãos

E então posso morrer
Se não for noite


Braços abertos

Separei os braços
E exilei o peito

Doeu-me tanto
Que não sei chorá-lo

(Poemas extraídos da obra: POESIA)


Publicado por void em junho 29, 2004 12:01 AM
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