
DANIEL FARIA
Estranho é o sono que não te devolve
Estranho é o sono que não te devolve.
Como é estrangeiro o sossego
De quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
De quem já só por dentro se ilumina
E surpreende
E por fora é
Apenas peso de ser tarde. Como é
Amargo não poder guardar-te
Em chão mais próximo do coração.
Como reporás a terra arrastada
Como reporás a terra arrastada
Para a boca?
Foges e foges
E repousas à sombra da velocidade.
E ao extinguires-te dizes
Tudo
O que podia ser dito
Sobre a luz.
Guarda a manhã
Guarda a manhã
Tudo o mais se pode tresmalhar
Porque tu és o meio da manhã
O ponto mais alto da luz
Em explosão
O meu projecto de morrer é o meu ofício
O meu projecto de morrer é o meu ofício
Esperar é um modo de chegares
Um modo de te amar dentro do tempo
Rendição
Deponho as armas:
Primeiro a voz
Depois a luz
Por fim as mãos
E então posso morrer
Se não for noite
Braços abertos
Separei os braços
E exilei o peito
Doeu-me tanto
Que não sei chorá-lo
(Poemas extraídos da obra: POESIA)