junho 28, 2004

O SÉTIMO SELO

Com realização e argumento de Ingmar Bergman, o filme "O Sétimo Selo" (1957) é um marco no cinema sueco, escandinavo e internacional.
Podendo ser adquirido presentemente em DVD quer avulso, quer em "pack", encontramo-nos perante uma obra e um conjunto cujo(s) conteúdo(s) pretende(m) transmitir, para épocas e contextos diferenciados, a relação do Homem com Deus (sendo que no caso deste filme, e especificamente, a Morte é uma referência de relevo).
"O Sétimo Selo" é um filme que merece ser visto. É um filme onde a Morte surge como personagem (considerar a imagem supra-apresentada), permitindo isso um percepcionar acentuado sobre aquela que é a sua realidade e a impotência dos homens quando consigo, de facto, se deparam. A Morte é. A Morte vive. A Morte existe. A Morte joga, finta e atrasa. Atrasa para poder ser ainda mais imperiosa. Atrasa para se permitir, depois, comandar uma macabra "Dança da Morte".

Ingmar Bergman consegue um trabalho final muitíssimo significativo. O facto de incidir o argumento deste filme sobre uma época específica da História, com uma catástrofe que foi efectivamente enorme em termos de destruição da vida humana- a Peste Negra-, o realizador cria um cenário (ou a soma de cenários) particularmente aflitivo(s), onde consta(m) auto-flagelações, marchas dos penitentes, queixumes, o encarar claro da perenidade da Vida e da impotência perante tal e onde o Medo impera, assim como regista o aproveitamento que o Homem sempre tenta fazer da desgraça, em particular roubando para, a partir dai, adquirir vantagem individual. E em tudo isto a presença e intervenção da instituição-Igreja.



De considerar da mesma forma, em particular na figura do cavaleiro, o confronto entre a aquisição de Conhecimento que se pretende o mais racional e consubstanciado na experiência, possível, e o que vem simplesmente da Fé, sem contestação e, por isso, com um grande peso do dogmático.
Um filme "de época", mas inequivocamente, com muita matéria recuperável para o mundo de hoje e para as vivências quotidianas que nele temos.

A acrescentar, tendo em conta o DVD:

- ARGUMENTO:

"Um cavaleiro desiludido, que regressa a casa depois das cruzadas, encontra o seu país vivendo um ambiente de terror ocasionado pela peste negra, que ataca as populações sem piedade. Vive-se o pavor colectivo do fim do mundo, onde todas as desgraças são interpretadas como maus agouros e como castigo de Deus infligido aos homens pelos seus pecados. A Igreja aproveita-se desta situação, para ganhar poder sobre o povo, que se lança nos seus braços para salvação da alma.
Max von Sydow interpreta o cavaleiro que tenta resolver os mistérios da vida e da fé enquanto dura um jogo de xadrez com a própria morte".

- PARA ALÉM DO FILME:

Conteúdos adicionais: Índice das cenas, filmografia e biografia de Ingmar Bergman.

- DURAÇÃO:

c. 100 '

Publicado por void em junho 28, 2004 12:02 AM
Comentários

A tua apresentação, fantástica, despertou-me verdadeiramente o interesse para ver o filme, bastante forte, não o farei para já, pelos motivos que já conheces, mas será uma questão de tempo, quando me sentir preparada... Beijinhos e tem uma boa noite...

Afixado por: Maria em junho 28, 2004 09:53 PM

Maria:
Bigada, bigada, bigada pelas tuas palavras:)**
Quanto ao resultado final, que é o que aqui apresento, resulta do tal processo que te falei e no qual me empenho.
Sim, procura ver o filme. Quando te sentires preparada, confronta-te com a obra que é, de facto, muito boa.

Afixado por: Sandra em junho 28, 2004 10:25 PM

O resultado final, resulta da tua grande e brinhante capacidade, de argumentação, tal como te disse, uma excelente critica, muito bem justificada!! Gostei muito!! Acredito que te empenhes, mas penso ainda que te é natural, está em ti... Beijinhos

Afixado por: Maria em junho 28, 2004 10:33 PM

Não vou falar do argumento do filme, só por si a morte é ... "assustadora", mas tão ou mais assustador é asistir à morte de um Grande Amor; essa morte corroi, desventra, consome o coração de quem ama.

Beijinho carinhoso

Afixado por: Marta em junho 28, 2004 10:46 PM

Bom ver-te por aqui, Marta!
A Morte é transversal e amplíssima: elimina, faz desaparecer ou destrói fisicamente muitos seres humanos. A História é palco para isso, ao nível dos mais diversos quadrantes.
A Morte pode associar-se, também, simbolica e linguísticamente à perda ou término de algo: a morte de ideais, a morte de perspectivas, a morte de intenções...
A Morte é inspiradora da Arte. A Morte traduz-se nas artes. A Morte consubstancia a Literatura: justifica conteúdos e provoca subsequentes estados de espírito nos leitores.
A Morte é, em suma, um reservatório enorme de Vida pelo facto de ser, inequivocamente, e pelo facto de permitir produzir, reflectir, debater, sem limites e com uma criatividade efectiva.
A Morte inclui em si este paradigma: destrói, arrasa, põe término, traduz finalizares e projectos não conseguidos, mas é fonte para o Homem ser, naquela que é a sua natureza racional, emotiva, criadora.

Quanto ao filme: pode ser alvo de discussão directa do argumento ou pode ser pretexto para outros debates ou outros versares sobre... Por tudo isto, vale a pena. Por isso permite sublinhar a Vida em nós.

Afixado por: Sandra em junho 28, 2004 11:35 PM

Muito bom e muito boa a tua apresentação.

Afixado por: Anjo Élico em julho 2, 2004 04:27 PM

Please check out the sites in the field of- Tons of interesdting stuff!!!

Afixado por: em dezembro 2, 2004 07:52 AM