
(Fotografia de José Marafona)
luzes e luzes de conversa. abrir-te o sonho e mostrar-te o amor sem tempo. o amor não tem tempo. não essas horas e idades das civilizações humanas. amor é uma palavra imortal. é o silêncio ouvido na lâmina do punhal aceso. é a união de dois seres que se tornam um só. um só mas não estão sozinhos. nunca a solidão. porque a solidão é fria e queima como o amor mas como um fogo diferente. um fogo frio que assola as entranhas. um incêndio que devasta o espaço interior. pedaços de mobília que se devoram interiormente. às vezes somos todos peças mobiliárias a envelhecer num espaço interior e a julgar que somos belos e que decoramos a vida quando a podridão da casa onde nos encontramos, fede a morte e a restos de sentimentos decompostos. o homem encurva-se sobre o seu trabalho insatisfeito da condição humana. escreve contra os outros e por isso escreve sozinho. eu digo-lhe que o mundo não é assim tão mau e a gente é que tem medo. medo de sofrer. não sofras tu também. os livros gemem. gemem a ausência de quem não os lê e a presença de quem não os compreende. este sentimento actualizado é de solidão, de falta, de espaço vazio onde a aragem fria trespassa as teias da alma. quero aquecer-me junto aos teus lábios. lábios de porcelana inquebrável. gostava que me ouvisses. estar longe de nós assusta qualquer página de escrita esfarrapada. parece que deixo entrever a tua falta através desta saudade. vidro embaciado de saudade. gosto de ti.
(Texto de uma amiga que já foi blogger aqui no Void. É um texto de "ela", editado originalmente em Memória Futura)
Publicado por void em junho 24, 2004 07:26 PMChama-me tudo o que quiseres: não é que ganhámos?!
Afixado por: PilantraX em junho 25, 2004 12:01 AMEheheheh... foi duro, mas lá conseguimos. Era bom que esta "garra" e esta "portugalidade" se verificassem também a outros níveis...
Texto bonito a terminar com uma declaração de amor e foto de um efeito espectacular: Gostei. Beijo.
Afixado por: Pink Lady em junho 25, 2004 12:31 AM"...este sentimento actualizado é de solidão, de falta, de espaço vazio onde a aragem fria trespassa as teias da alma." Acho que as vezes me sinto um livro com falta de espaço, e a vida se transforma numa solidão. Lilia
Afixado por: em junho 25, 2004 10:21 AM