
(Gonçalo M. Tavares)
A maldade é uma categoria do raciocínio. Não é uma invenção sobrenatural, nem cresce a partir de substâncias inscritas nos vegetais comestíveis. A maldade é uma categoria do instinto, sim, mas também do raciocínio, da inteligência. Como se fosse uma etapa do percurso que o cérebro matemático faz quando pretende resolver problemas numéricos. Dedução, indução e maldade.
(Gonçalo M. Tavares- A MÁQUINA DE JOSEPH WALSER)
Publicado por void em junho 14, 2004 10:20 AMMaldade...ora ai está uma coisa que eu não sei porque existe e porque tende a crescer nos dias de hoje. Acho que a maldade é realmente das coisas mesquinhas, porque ás vezes surge sem motivo nenhum. Ainda consigo entender a inveja, agora a maldade pura e dura não entra.
Afixado por: wildblue em junho 14, 2004 12:27 PMNas sociedades contemporâneas (e ao longo dos tempos, adaptada aos contextos de cada época), maldade tem bastante a ver com individualismo e competição, naquilo que estes têm de negativo. Existe igualmente por razões de domínio seja de que tipo for sobre outrem, para efeitos de controlo, manipulação e incapacidade de reconhecimento de fraquezas individuais que, por não vislumbrarem em si, capacidade para resolver questões/problemas diferentemente, recorrem a esquemas mais ou menos obscuros. Também ligada à questão da maldade, a vitimização daqueles que actuam, no sentido do arrastamento emocional de outros que, egoisticamente não querem perder e que, por isso, ao mesmo tempo, não deixam crescer, evoluir e seguir a sua vida com contornos diferenciados.
Inerente à maldade há uma complexidade enorme. Nela e com ela se detectam os limites dos indivíduos. E por ela, grupos, sociedades, países, mundo podem ser (e são) alvo de sofrimento.
Do particular ao geral a maldade está lá. Infelizmente. Doentiamente. Repugnantemente.
Sem duvida, se precisa ter uma grande inteligencia para fazer uma grande maldade. A inteligencia è um instrumento preciso para fazer qualquer coisa bem: as boas coisas e as coisas perversas e cheias de malicia.
Afixado por: odyseo em junho 14, 2004 06:05 PMTodos temos algo de mau, há quem só a saiba praticar, não conhecendo outro comportamento, ou outro sentimento... praticamos a maldade, consciente ou insonscientemente, para os outros, ou para nós próprios, mas somos dotados para a reconhecer, para a evitar, e emendar... Não falo em maldades de grande "dimensão", falo nas pequenas coisas do dia a dia, e todos a praticamos, até porque não somos perfeitos...
Afixado por: Maria em junho 14, 2004 08:39 PMConcordo, Maria. Mas pegando nas tais coisas do dia-a-dia, mesmo nessas, relativamente a algumas pessoas, verificam-se/constatam-se requintes preocupantes. Preocupantes porque se assumem na máxima consciência possível e porque são absolutamente implacáveis e com consequências que podem ser muito graves, em particular para aqueles a quem se dirigem. Registo que tais consequências podem verificar-se a curto, médio ou mesmo longo prazo.
Evidentemente que é de considerar o mal da maldade para quem a pratica, por aquilo que faz ou transforma tais indivíduos no que de pior há na espécie humana. Será, tb, a frustração e o ressentimento a toda a prova.
Quero sublinhar a Maldade no seu desdobramento possível em tipologias de maldades, com graduações que podem ter inerentes e áreas face às quais actuam.
Outra questão: Maldade, porquê? face a quem? a que valores?
Odyseo:
De facto, a inteligência potenciada em duas direcções. A dever predominar: aquela inteligência [de um(ns) Eu(s)] que consegue antecipar, prever e combater o que de si (e vindo de outros) pode ter de negativo.
Afixado por: Sandra em junho 14, 2004 10:35 PMEsta dissertação sobre a maldade está interessantíssima. Pena é que seja a maldade a imperar cada vez mais neste mundo insano! Beijo
Afixado por: Pink Lady em junho 17, 2004 10:14 AM