Insonia

Ouço a sua respiração já distante da realidade.
Tem pequenas convulsões como se fizesse um movimento ao qual o corpo não conseguisse corresponder.
Continuo a escutar o silêncio dos adormecidos e a insónia da apaixonada noite. Solitária dos condenados, a insonolência dos pensamentos imortais enlouquece qualquer um.
Já te aconteceu ficares acordado a pensar que deverias dormir e não o fazes?
Espero

Não quero viver no medo.
Dói ler-te no medo do sangue a espalhar-se, o medo do silêncio reinar sobre nós.
O vidro enevoado onde as palavras se embaciam nos gritos da escrita. Vem resgatar-me às sombras emudecidas da morte, os pensamentos funestos da loucura.
O abismo vazio do meu corpo afogando-se no teu.
Espero.
Abrigo

Respiro contra as marés da solidão. Receio estes sentimentos incompletamente sentidos, estas palavras que soam distantes da realidade.
Se escreveres sorrisos, estarei mais perto de chorar.
Os sussurros da casa indefesa de nosso abrigo.
(Textos da autoria de uma das bloggers do Void. Editados, também, em Memória Futura. Fotografias de José Marafona. A ele, um agradecimento especial.)
Publicado por void em maio 26, 2004 06:24 AMA solidão e o medo. Dois ingredientes da mesma sopa de que se alimentam os poetas. Eles fazem parte do nosso temperamento. Só os inconscientes nunca sentiram medo. Escrevê-lo e pô-lo fora de nós.
Afixado por: Joao Norte em maio 26, 2004 12:03 PM