abril 13, 2004

ZANGA

Ela andava de um lado para o outro, não aceitava ainda a paz que ele lhe
oferecia com o olhar.

Estava encostado a uma parede, sabia que por enquanto era inútil tentar acalmá-la.
Ela olhou-o, perguntou:
- Não dizes nada?
Nem esperou resposta, continuou repisando chão e argumentos.

Parou, repetiu:
- Não dizes nada?
Estendeu o braço, puxou-a:
- Cala-te, chega. Faz amor comigo.
O corpo dela tremia de zanga, os braços caídos em recusa.

Encostou o corpo ao dela.
Calou-lhe com a boca, na boca, as palavras as recriminações.
Começaram a amar-se em zanga os corpos tensos, os gestos bruscos rápidos.
Cada gesto um golpe.
Arrancaram do corpo um do outro os gemidos. Ultrapassaram-se em carícias. Exigiram um ao outro o prazer.

Transpirados, exaustos afastaram-se.
Ele estendeu a mão… Ela aceitou.

(Ana- EROTISMO NA CIDADE)

[Já a epitetei de "Anais Nin", há uns tempos atrás. Não me contrariou, de todo. Afinal é uma questão de propósito. Entre um não diário e um diário que pode sempre ser, mais uma amostra de um excelente trabalho que tem vindo a ser divulgado na blogosfera. Para a já amiga, Ana, mais uma- mas sempre insuficiente- palavra de reconhecimento. Sandra]

Publicado por void em abril 13, 2004 03:11 PM
Comentários

Como disse no Zen, convosco estou em casa. Quando ontem escrevi este conto, estava mesmo zangada, o dia correu mal, e andei mesmo assim de um lado para o outro.Quando o reli não gostei, não mostrava suficientemente a zanga, mas decidi na mesma editá-lo.muitas pessoas estranham eu escrever tanto, já me disseram que é demais, mas tenho este habito, passar todas as emoções para o papel, confrontar-me com elas, reflectir escrevendo.Nesse aspecto é quase um diário sim :) um beijo

Afixado por: Ana em abril 14, 2004 08:59 AM

Eu percebo isso. Como sabes, aliás, já percebi há algum tempo. Também já falámos sobre isso. Um pouco, mas falámos.
Que este teu diário (forma de diário), continue.

:)***

Afixado por: Sandra em abril 14, 2004 09:05 AM