março 23, 2004

POEMA DE UM HOMEM QUALQUER


(Natércia Freire)

E assim tenho passado. Apenas entre.
Desconhecido o tempo que é de morte
E o Mistério que fui Eu no seu ventre.

Entre o Dia dos outros e o meu Dia
Se levanta a agonia
E canta como um galo, ainda Noite,
Anunciador do Mal. Vidente e estridente.

De mim, o sonho ausente.
Dos outros, o clarim que me asfixia.

Mas é na terra de outro Continente
Que o aviso dispara a linha fria.

E a minha Pátria vem, impaciente,
Mascarada de Grécias, de distâncias
Remotas como Vénus. Renuncia
Ao Presente. O Presente se adia. . .

E sempre fica entre.

(Natércia Freire- LIBERDADE SOLAR)



Publicado por void em março 23, 2004 07:05 AM
Comentários

Vir aqui é sempre uma descoberta.Não conhecia este nome da Poesia.E afinal,estava-o perdendo...Adorei o poema!

Afixado por: valeria em março 23, 2004 09:19 AM

Lindo :)

Afixado por: Morgatha em março 23, 2004 03:35 PM

Penso como a Valeria. e com a Morgatha repito: lindo!

Afixado por: Ana em março 25, 2004 08:09 AM