
(Manuel Alegre)
Não sei de que cor são os navios
quando naufragam no meio dos teus braços
sei que há um corpo nunca encontrado algures no mar
e que esse corpo vivo é o teu corpo imaterial
a tua promessa nos mastros de todos os veleiros
a ilha perfumada das tuas pernas
o teu ventre de conchas e corais
a gruta onde me esperas
com teus lábios de espuma e de salsugem
os teus naufrágios
e a grande equação do vento e da viagem
onde o acaso floresce com seus espelhos
seus indícios de rosa e descoberta.
Não sei de que cor é essa linha
onde se cruza a lua e a mastreação
mas sei que em cada rua há uma esquina
uma abertura entre a rotina e a maravilha .
há uma hora de fogo para o azul
a hora em que te encontro e não te encontro
há um ângulo ao contrário
uma geometria mágica onde tudo pode ser possível
há um mar imaginário aberto em cada página
não me venham dizer que nunca mais
as rotas nascem do desejo
e eu quero o cruzeiro do sul das tuas mãos
quero o teu nome escrito nas marés
nesta cidade onde no sítio mais absurdo
num sentido proibido ou num semáforo
todos os poentes me dizem quem tu és.
(Manuel Alegre- POEMAS DE AMOR)
Um dia, a Sandra deveria colocar aqui o "Meu Amor é Marinheiro", que Amália cantou.Eu sei que Amália adorava cantar Alegre. Aliás a paixão é mutua. Alegre escreveu um poema genial intitulado "Amália", que foi oferecido ao Joaão Braga para o cantar.Ai que inveja!!!!Um dia...se o Destino quizer,ainda gostaria de musicar um album só com poemas de Manuel Alegre,outra das minhas paixões.
Afixado por: Valeria Mendez em fevereiro 28, 2004 02:00 PM