fevereiro 27, 2004

META DE TRANQUILIDADE


(Inês Pedrosa)

Só vivendo sobre a mudança se podia evitar a dor, só contornando a monstruosa perfeição do tempo se podia vencê-lo. Assim pensava, e enganei-me, porque o tempo não é pensável. Concentrei-me em deixar de ser para poder ser tudo, em esquecer para dominar a existência. Eu sou o tempo; sou nada, o nada veloz e imóvel que molda o corpo do tempo. Deixar de ser é ainda acatar as regras implacáveis do ser. Estou esgotado do correr contra a dor, contra a memória, contra a infância, contra o amor e o ódio. Criei uma meta de tranquilidade que se afasta tanto mais quanto mais corro para ele. Não há paz no instante, e eu vivo de instante para instante. Começo a temer que a paz se alimente do sangue da paixão de que abjurei.

(Inês Pedrosa- FAZES-ME FALTA)

Publicado por void em fevereiro 27, 2004 09:05 PM
Comentários

Esta gaja está cada vez mais gorda! Quem é que invade a casa dela e a despoja de todos os chocolates que lá encontrar? É que se ninguém o fizer, faço-o eu!

Afixado por: André em março 1, 2004 01:18 AM