
(José Agostinho Baptista)
Eis como em si mesma ela se ergue.
E erguendo-se,
o seu canto caminha pela terra.
Como a trepadeira
as suas mãos enredam-se no crescimento
do dia.
Ela abre a tarde com os dedos, tacteando
a luz.
E à luz chegada
verte-se em sombra e da sombra rouba
um pássaro,
um fruto mortal.
Ela desoculta as suas grutas, afastando
o musgo,
um pouco de ar, a humidade que
acentua o fogo.
Aí está o segredo,
a serpente de ouro onde me prendo,
cego no seu olhar.
(José Agostinho Baptista- PAIXÃO E CINZAS)
Publicado por void em fevereiro 25, 2004 08:34 PMbelíssimo
Afixado por: André em fevereiro 25, 2004 09:34 PMUm dos poetas que mais aprecio.
Poesia que me fascina, que me envolve...
Uma das razões(...e não são assim muitas!) que me fazem orgulhar-me de ser madeirense.Orgulho-me muito mais em ser Portuguesa.
Afixado por: Valeria Mendez em fevereiro 27, 2004 02:44 PMValéria:
sabias que José Agostinho Baptista nasceu na Madeira? Pois é! Qualquer dia edito um poema que ele dedicou à sua ilha.
:)***
Afixado por: Sandra em fevereiro 27, 2004 06:31 PM