É tão bom sentir o que sinto. Que alguém, e és tu, me quer com o maior cuidado para não se enganar, iludir, mentir a si próprio que não me está a confundir, sem querer, com o que desejava ver, sempre esperou alcançar, sonhou quando era criança num sonho que ficou, quer mostrar aos outros, ao pai em especial, a quem quer que seja, pouco importa. Não, do que tu gostas mais em mim é dos meus pecados, dos meus defeitos físicos, de tudo o que não consigo ser, onde falhei, onde não pára nunca de doer, é isso o que tu queres ver, o que queres ter perto de ti, queres aceitar e cuidar, só isso, e o resto, só se vier com isso, porque é assim que tu amas em mim. Será isso? Será assim? Será possível pela primeira vez? Pode ser, talvez seja disso feito o nosso amor. Pelo menos grande parte, meu querido.
(Pedro Paixão- MUITO, MEU AMOR)
muito boa escolha de autor... já conhecia o texto, mas foi bom reler...
Afixado por: pedro em fevereiro 1, 2004 03:13 AMObrigada, Pedro, pela tua visita e comentário.
Este excerto do Pedro Paixão chamou-me particularmente a atenção, pelo que faz pensar sobre o que pode dar origem ao término de uma relação. Ou, quanto muito, a uma relação com problemas.
A questão das expectativas em relação ao outro (ou para com o outro) é muito importante, sendo que são elas que irão nortear, pelo menos numa 1ª fase, muito daquilo que irá ser vivido e/ou sentido. É, pois preciso, dar atenção às realidades constantes no outro lado do "Outro", no âmbito das relações que estas permitem estabelecer com o "Eu", no desenrolar quotidiano de uma relação.
Gostaria de saber como participar enviando um poema
Afixado por: LILIA TRAJANO em fevereiro 10, 2004 06:04 PM