
(Pintura de Rafael Perez)
Um suspiro teu
sereia-me fundo
uma revulsão que se ergue com o despertar do instinto
Já não sinto
A linha das tuas costas coleia
num requebro de cio
um fulgor de cobre
o chamamento dos teus cabelos que se estendem ao meu peito
o clangor de uma batalha antiga
funde-se com a ânsia da língua
sulcando cicatrizes húmidas no teu colo
Cravas crecentes de sangue nos meus ombros
o embalo rítmico das tuas ancas
a urgência adâmica de te responder
uma crispação de lábios
vences-me quando te respondo
fui eu quem abriu as tuas coxas?
fui eu, fui eu, fui eu, fui eu
Já não sinto
fujo por elas
fujo
que precipício
dor
ou a que cume ascendo
e me escondi
(André Conde Morais- Inédito)
[Poema enviado pelo autor, dando sequência a "Cosmocópula", de Natália Correia. Versão masculina. O nosso agradecimento pela resposta ao desafio lançado.]