janeiro 27, 2004

A METADE PERDIDA DE NÓS PRÓPRIOS


(Milan Kundera)

[Tomas] Lembrou-se do célebre mito do Banquete de Platão: dantes, em tempos muito recuados, os humanos eram hermafroditas e Deus separou-os em duas metades, que, desde então, erram pelo mundo à procura uma da outra. Amar é desejar essa metade perdida de nós próprios.
Admitamos que assim seja; que cada um de nós tenha algures no mundo um par com o qual constituía em tempos um único corpo.

(Milan Kundera- A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER)

Publicado por void em janeiro 27, 2004 06:48 AM
Comentários

Algures, neste mundo...

É uma procura estranha, essa...

Afixado por: Carlos em janeiro 27, 2004 10:00 AM

daí a nossa incompletitude, a nossa necessidade de alguem.. um certo alguem... perfeito este texto...

Afixado por: D_Quixote em janeiro 27, 2004 01:56 PM

Independentemente da qualidade (da estética)literária do excerto em questão, não posso deixar de o considerar, em termos de ideia global, limitado. Neste sentido, e de acordo com esta perspectiva, discordo de ti, caro D. Quixote.
Pensa no seguinte: quantas pessoas poderão ler estas palavras de Kundera e sentir que o seu outro lado não é o sexo oposto que um dia se terá afastado? Não terão elas, no âmbito de um modo de sentir diferente, direito a não considerar como para si esta "metáfora" do hermafroditismo?
Para quê excluir? Julgo que nestas questões não podemos só lembrar-nos do que é "a maioria" e do que, imediatamente, poderá ser por nós considerado como o "mais normal", "mais lógico" ou o de mais fácil percepção.

Afixado por: Sandra em janeiro 27, 2004 10:37 PM