janeiro 24, 2004

Maldição


Perscruta a escuridão das sete noites enquanto o seu manto desliza nas sombras noctívagas que permanecem ocultas. A lua cheia, a luz enigmática de sua deusa, descobre-se nas suas costas de cabedal. Os mortais deparam-se, tal ninhada sem mãe, diante de si. Sente o sangue quente que corre nas veias de um pulsar de vida.
Fecha os olhos e visualiza o mar tumultuoso de corpos insaciáveis. Nas essências nocturnas, o cheiro da eternidade, o apelo de sua alma imortal, a sua maldição.
Num rasgar de trevas, deixa-se cair.
Na sua capa negra, a solidão da imortalidade sorri.
É o desalento de quem caminhará só nas ruínas do mundo.

Publicado por void em janeiro 24, 2004 08:06 PM
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