
Já nada há neste mundo que me conforte,
já arranquei da vida todo o seu prazer,
nada tem para me dar, qu'eu possa querer,
a não ser o sabor da minha própria morte!
Que eu tanto desejo essa viagem,
ando louca de ansiedade à tua espera,
já és uma obcessão, és quimera,
sê deste meu deserto, uma miragem!
Vê bem,... já nada me prende aqui...
pois já há muito tempo que eu parti,
fugi com a minh'alma de mão dada!
Só cá deixei o meu corpo, a envelhecer,
porque insistes em deixá-lo padecer,
já só é carne que quer ser sepultada!
"Roxy"
93.03.25
uau....!
Fiquei sem palavras.
Este soneto da Roxy vem como que reforçar a qualidade que lhe reconheço, já expressa nos poemas anteriores. Neste, então, não posso deixar de estabelecer um paralelismo muito vincado com uma construção de cariz romântico ou neo-romântico, tanto do agrado aqui da casa.
Fantástico, Roxy!
:))
Afixado por: Sandra em janeiro 24, 2004 04:20 PMJá agora uma questão directamente relacionada com a imagem (escolhida pela minha parceira de blog, que se encontra a estudar na área das "Artes"): Void, podes dizer-nos o porquê desta imagem em conjunto com o soneto da Roxy?
Explica um pouco a relação que estabeleceste entre a linguagem escrita e a linguagem visual, na construção deste post.
;)
Afixado por: Sandra em janeiro 24, 2004 04:24 PMcada um que a interprete à sua maneira.
Afixado por: em janeiro 24, 2004 04:31 PMPoderei então depreender das tuas palavras, Void, que a apreciação de uma obra de arte em geral, ou de uma imagem, em particular (como a que aqui aparece), tem uma grande dose de subjectividade inerente. Quererá isto dizer que os objectivos ou intenções do artista/criador podem nunca ser consentâneos com as construções mentais dos vários sujeitos que constituem/compõem o público?
Afixado por: Sandra em janeiro 24, 2004 04:49 PMprecisamente.
aliás, acho que quase ninguém consegue decifrar a verdadeira fonte de intenção, que muitas vezes o autor não consegue explicar ou compreender.