
Não compreendo estes sentimentos que me devoram. Sou percorrida por algo que grita. Algo que grita trespassando-me dolorosamente:
-Vive!
-Morre!
E já não sei o que fazer....Não sei se hei-de chorar, se hei-de gritar, se hei-de ignorar...é um vazio, uma ignorância e uma ânsia. Sim, ela. Ânsia de algo mais que isto. Algo mais que respirar, que caminhar errante no passado de alguma memória que já cicatrizou. Algo mais que sofrer fastidiosamente na minha solidão, na minha incompreensão.
Não sei se sou, nem sei se cheguei a ser. Estou aqui navegando pelas prostitutas páginas brancas que se entregam às minhas mãos esfomeadas não sabendo como expressar isto que me amaldiçoa...
E desejo tanto fugir! Chorar perdidamente e fugir! Envolver-me, desaparecer. Acreditar que tenho asas para voar. Voar para longe do ar putrefacto em que morro, e abraçar tudo aquilo que nunca foi.
A vida corre nos meus pulsos. Pq me apetece, então, cortá-la?
Esse corte pode querer significar a passagem para algo diferente.
Sandra
Afixado por: Sandra em outubro 12, 2003 07:59 AMAbraçar tudo aquilo que nunca foi sugere-me... saudades do Futuro. Desejar o que ainda está para vir. Querer estar onde não se está, ainda. Querer ser (mais) o que ainda não se é.
Sandra
Afixado por: Sandra em outubro 12, 2003 08:56 AMPode significar acabar com toda esta imcompreensão, esta dor de um grito que nunca deixará de ecoar no meu âmago, na minha alma.
Tb desejo o futuro, o renascer. Mas aqui falo de um desejo enorme de me abraçar e de abraçar aquilo que nunca teve a oportunidade de nascer. Tudo aquilo que me é igual e diferente dos outros.
Não sei.... Não consigo chegar a conclusões.
Só posso dizer q as reticências tornaram-se uma ajuda imprescendível...
(...) E agora que o meu ser petrifica, com a serenidade dos anos, e que me sinto a congelar em marasmos e terrenos pantanosos, onde encontro, o que na verdade, me defina em modos e maneiras que eu possa pelo menos aceitar?
Onde encontro o refrigério para esta Ânsia que se levanta com o calar da minha anterior raiva. Sinto-me cada vez mais cego, cada vez mais longe do meu sonho, e por isso, cada vez mais falso.
Neste imenso e merdoso jogo de sombras, palco de luzes terrenas, cada vez mais me calo e contraceno, em vez de protestar a viva voz com o ensaiador.
...a dor...
17/10/02