setembro 07, 2003

o olhar entre as grades

Está a chover. O cão molhado chora com raiva aos monstros, às grades. Chora pelo lugar que lhe foi prometido pelo vento. Aquele que traz as essências da terra, da água...o cheiro de lenha queimada, o de calor de uma casa, de um vale interminável onde correm livremente os de seu sangue. Ergue a o focinho. Fecha os olhos e inspira. Sabe que milhares de animais estão com ele, lamentando ao vento esta solidão tão mortal. Quisera ele ver além das paredes de cimento. Quisera ele correr além dos 2 metros de varanda. Quisera ele ouvir além dos carros, das vozes. Quisera ele acariciar alguém além do chão duro. Quisera ele sorrir além de chorar.
Quisera ele ser abraçado em vez de ser espancado.
Queixámo-nos aos céus esta solidão infinita, incompreensão e dor...E eles? Abraço o meu cão e inspiro com ele as terras longínquas trazidas pela tempestade. Dou-lhe todo o amor que desejava dar aos outros e choro por ele, por eles.

Publicado por void em setembro 7, 2003 11:35 PM
Comentários

Esta entrada é tão importante p mim...
Estou a ver q ninguém se sensibilizará com os animais........Mentes cruéis!

Afixado por: Void em setembro 17, 2003 02:34 PM

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Afixado por: em dezembro 2, 2004 05:05 AM